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terça-feira, 21 de junho de 2016

Foguete europeu Ariene-5 é lançado ao espaço com dois satélites

G1
20 de junho de 2016



Após dois atrasos, o foguete europeu Ariane-5 foi lançado neste sábado (18) ao espaço com dois satélites de telecomunicações, o Echostar XVIII, para a difusão de sinal de televisão, e o BRIsat, para reforçar a segurança de transações bancárias.

A decolagem a partir da base de Kourou, na Guiana Francesa, aconteceu pouco depois das 21h39 GMT (18h39 em Brasília).

Inicialmente, o lançamento devia ter acontecido no último dia 8, mas um defeito em um equipamento de conexão e as condições atmosféricas adversas obrigaram o adiamento em duas ocasiões, a última ontem à noite.

Juntos, os dois satélites pesam 10.730 quilos, o que representava um recorde para um lançamento.

Fabricados pela empresa americana Space Systems Loral, na Califórnia, eles devem ficar em órbita geoestacionária a 35.766 quilômetros da Terra em seu apogeu (o ponto mais afastado) e a 250 quilômetros em seu perigeu (mais próximo).

Ministério da Defesa Negocia Criação de Duas Novas Estatais

Estadão
19 de junho de 2016

Raul Jungmann - Ministro da Defesa - FOTO: Wilson Dias/Agência Brasil

Uma seria voltada para novas tecnologias aeroespaciais, inclusive satélites e radares,
e a outra irá operacionalizar parte das atividades de controle do espaço aéreo.

Ministério da Defesa negocia com a Casa Civil e com a área econômica a criação de duas novas empresas públicas que ficarão sob a alçada do Comando da Aeronáutica. Uma é a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. (Alada), voltada para projetos e novas tecnologias do setor, inclusive satélites e radares. A outra, ainda sem nome, irá operacionalizar parte das atividades de controle do espaço aéreo.

Um dos objetivos das novas empresas é criar condições legais para que os recursos obtidos com as tarifas aeroportuárias entrem diretamente nos cofres da Aeronáutica, sem passar antes pelo Tesouro Nacional.

Segundo o ministro da Defesa, Raul Jungmann, a criação das duas empresas públicas é "parte de um eixo muito mais amplo para trabalhar fontes alternativas e novos modelos de financiamento". Ele lembra que é preciso "criatividade" para enfrentar dois fatores: o país convive com uma grave crise fiscal e não há recursos para investimento, mas a Aeronáutica opera com alta tecnologia, que tem uma dinâmica muito rápida e risco contínuo de obsoletismo.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Nivaldo Rossato, especifica que as duas novas empresas fazem parte do "Programa de Reestruturação Administrativa e Operacional da Aeronáutica", que tem como horizonte 2041, quando a FAB completa 100 anos. Ele disse que, "seguindo uma tendência internacional de otimização de recursos, com redução de custos e de efetivo", haverá enxugamento de estrutura e estímulo a empregos temporários, de até oito anos, concentrando o pessoal de carreira, militar e civil, nas atividades-fim, como infantaria, armamento e operador sonar.

Como exemplo, o comandante disse que as próprias bases da FAB ficarão mais enxutas, como as de Fortaleza, Recife e Florianópolis. Ele citou também o que já está ocorrendo com o Parque de Manutenção. Estão sendo fechadas as unidades de Belém, Recife e o Parque dos Afonsos, no Rio de Janeiro, deixando em atividade outras três, no Rio, em São Paulo e em Lagoa Santa (MG), mas reduzindo gastos com equipamentos próprios e fazendo parcerias com empresas da iniciativa privada, como a Embraer.

Hoje, a FAB tem um efetivo de aproximadamente 75 mil servidores da ativa, incluindo os civis, mas a intenção do Comando é reduzir o pessoal de carreira para dar vez a jovens formados nas mais diferentes áreas, como engenharia, psicologia, medicina, jornalismo, etc., que teriam um contrato de oito anos. Segundo o brigadeiro Rossato, isso reduziria os custos com pessoal em até 50%, pois os temporários não têm direito a movimentação entre Estados, residência ou aposentadoria. Em contrapartida, têm uma formação sólida e saem da FAB para o mercado com um bom currículo.

O objetivo da nova empresa é buscar "autossuficiência nacional em materiais aeronáuticos, espaciais e nos bélicos de emprego aeronáutico". A Alada poderá, por exemplo, desenvolver tecnologias de monitoramento do espaço aéreo por meio de rede de satélites; implementar projetos de sistemas, subsistemas e componentes de emprego aeroespacial, tudo isso relacionado à renovação da frota com o caça Grippen NG.

Satélite geoestacionário brasileiro entra em fase de testes

Inovação Tecnológica
20 de junho de 2016

Foto: FAB

Testes no solo

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) entrou em sua fase final de testes pré-lançamento, e os técnicos se preparam para controlar o equipamento que vai levar banda larga a todo o País e garantir comunicação segura ao governo brasileiro.

Com 5,8 toneladas e cinco metros de altura, o satélite deverá ser lançado no segundo semestre de 2016 por um foguete Ariane, a partir do Centro Espacial de Kourou na Guiana Francesa.

O primeiro teste do satélite, iniciado em março, foi o térmico: o equipamento foi colocado em uma câmara de vácuo e submetido a temperaturas entre -100 °C a 125 °C para simular as condições encontradas no espaço.

Em abril, o SGDC foi posto sobre um suporte que o fez vibrar, simulando as condições de lançamento.

Em junho e julho está sendo conduzida a campanha de testes de comunicações. Dentro de uma câmara anecoica, que não reflete as ondas de rádio, estão sendo avaliadas a qualidade do sistema e das antenas responsáveis por transmitir e receber os sinais.

Bandas Ka e X

Quando for ao espaço, O SGDC ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra, cobrindo o território brasileiro e o oceano Atlântico.

De lá, o satélite vai se comunicar com uma antena de 18 metros de altura, 13 metros de diâmetro e 42 toneladas, localizada em Brasília (DF). Uma segunda antena, em um centro de controle secundário, ficará no Rio de Janeiro (RJ).

Por meio da banda Ka, o SGDC terá capacidade para tramitar 54 gigabits por segundo, sendo considerado pelo Governo Federal como prioritário para expandir o acesso à banda larga em regiões remotas do país. Ao mesmo tempo, por meio da banda X, o satélite será utilizado para transmissões militares.

O projeto, uma parceria entre os ministérios da Defesa, das Comunicações e da Ciência, Tecnologia e Inovação, teve um investimento da ordem de R$ 1,7 bilhão. A expectativa é entrar em serviço no início de 2017, após um período de ajustes, e permanecer ativo durante quinze anos.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Satélite russo estuda buracos negros e ondas gravitacionais

Sputnik, via Jornal do Brasil
19 de junho de 2016



A sonda espacial Lomonosov lançada em abril com o telescópio Master-Choque vão ajudar o observatório gravitacional norte-americano (LIGO em inglês) a procurar os sinais óticos de fusões de buracos negros com pulsares e que provocam o aparecimento de ondas gravitacionais, acredita o astrônomo Vladimir Lipunov.

As fotografias do céu noturno do hemisfério sul da Terra, que foram obtidas pelos telescópios desta rede no dia 14 de setembro de 2015, quando foi gravado o primeiro relâmpago de ondas gravitacionais, foram usados por LIGO para buscar o ponto do seu aparecimento. Segundo ele, os dados obtidos pelo MASTER ajudaram os cientistas a provar que este relâmpago apareceu por causa dos buracos negros e não por causa da explosão de uma estrela supernova.

"Quando o LIGO foi construído, as pessoas não sabiam para que tinha ele sido criado, eles esperavam estudar estrelas neutrônicas e não buracos negros. Por isso o detector devia funcionar nas outras frequências mais elevadas. Ainda em 1990, nós mostrámos que é mais provável que o LIGO veja buracos negros em vez de pulsares e nos convencemos a expandir a amplitude de funcionamento do detector. As duas últimas descobertas mostram que nós tínhamos razão", disse Lipunov.

Segundo Lipunov, as mais de 20 redes do telescópio, que estão observando quase toda a superfície do céu noturno da Terra, participam da busca de ondas gravitacionais e suas fontes em conjunto com o LIGO, incluindo a rede russa MASTER.

"Considerando que o relâmpago foi no hemisfério sul, o MASTER foi a única rede que conseguiu realizar buscas em grande escala da fonte do relâmpago", continuou o astrônomo.

Segundo o cientista, o MASTER vai continuar a cooperar com o LIGO após o relançamento do observatório gravitacional que deverá ocorrer no início do outono deste ano. Além dos componentes terrestres da rede MASTER, o seu "primo" espacial, a sonda Lomonosov vai continuar estudando as ondas gravitacionais no espaço.

Curso prepara profissionais para atividades de CT&I

Agência CT&I
17 de junho de 2016



O Laboratório de Estudos sobre Organização da Pesquisa e da Inovação (Geopi) da Universidade de Campinas (Unicamp) realiza de 8 a 12 de agosto o curso de extensão “Foresight and Beyond - Prospecção, Priorização e Apoio à Decisão em Ciência, Tecnologia e Inovação”. A capacitação tem 40 horas de carga horária e está com inscrições abertas até 13 de julho. 

A meta é capacitar profissionais dos setores público e privado nos fundamentos e nas principais técnicas e ferramentas empregadas em prospecção, priorização e apoio à decisão de atividades de CT&I. O curso será ministrado em inglês e português de forma presencial, por professores da Unicamp, Universidade de São Paulo (USP) e da George Washington University. 

A capacitação será realizada na Fundação de Desenvolvimento da Unicamp, em Campinas. Para participar do curso, o candidato deve ter nível superior completo.

Mais informações neste link.

Finep e agência holandesa assinam acordo de cooperação em CT&I

Finep, via Agência CT&I
17 de junho de 2016

Acordo pretende fortalecer de uma rede transnacional em cooperação científica, tecnológica e industria
Foto: Nufic
Um acordo de cooperação internacional será assinado nesta terça-feira (21), às 10h, entre a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a RVO, agência holandesa de empreendimentos. O foco será nas oportunidades em ciência, tecnologia e inovação (CT&I) entre Brasil e Holanda, estabelecendo parcerias entre institutos de pesquisa e empresas inovadoras de ambos os países. O evento é aberto ao público, mediante envio de confirmação de presença pelo e-mail internacional@finep.gov.br  até esta sexta-feira (17). 

A cooperação tem como objetivo o desenvolvimento e o fortalecimento de uma rede transnacional em cooperação científica, tecnológica e industrial, através da troca de experiências e do desenvolvimento de planos de ação e atividades em áreas de interesse mútuo.

Os temas selecionados para o desenvolvimento das atividades de parceria são: economia circular; bioeconomia incluindo biotecnologia, química e biocombustíveis; energias renováveis e eficiência energética; recursos hídricos e saneamento ambiental; agricultura; ciências do mar; mobilidade urbana sustentável; aeronáutica e espaço; saúde; tecnologias facilitadoras incluindo nanotecnologia em tecnologia da informação e comunicação (TIC).

Cientistas não baixam a guarda e prometem lutar pela volta do MCTI

Agência CT&I
Felipe Linhares
15 de junho de 2016

Presidente da ABC, Luiz Davidovich, afirma que cientistas continuarão a protestar contra a fusão de ministérios - Foto: Lucio Bernardo Jr/ Câmara dos Deputados
Ao que tudo indica o “comandante” do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) navegará em mares turbulentos. As comunidades científica, empresarial, acadêmica e tecnológica não serão facilmente convencidas de que a fusão da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação (antigo MCTI) com a das Comunicações será benéfica para os setores.

Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (15), o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, rebateu as afirmações do ministro Gilberto Kassab de que a criação do MCTIC atendeu ao “anseio da sociedade” pela reforma administrativa.

Davidovich disse que a comunidade científica não baixará a guarda. “Começamos a pleitear o ministério [da Ciência e Tecnologia] em 1963, mas ele só foi criado em 1985. Foi uma batalha dura que mostra a persistência da comunidade científica, que continua existindo. Queremos um ministério íntegro e individualizado para que possa continuar a organizar a pesquisa e a ciência nesses País”, destacou Davidovich. “Estamos falando de um time que deu certo e não se mexe em quem está ganhando.”

O presidente da ABC disse ainda que a fusão encolheu o poder de ação da CT&I no Executivo. “Eram quatro secretarias e agora restaram duas. E o ministério das Comunicações ficou confortável. Manteve as três secretarias na estrutura. A Sepin, que era do MCTI, será conduzida por uma pessoa que estava no ministério das Comunicações e, agora, terá esse viés. A comunidade científica está se manifestando de diversas maneiras e virão outras mais.”

O ministro Kassab comprometeu-se a encaminhar à Casa Civil uma nova proposta de estruturação do MCTIC. Ele afirmou que a decisão de unir os dois ministérios é definitiva e reiterou que a ciência, pesquisa e inovação são estratégicas para o governo. “Eu entendo, justifico e apoio as manifestações. Esse posicionamento firme vai ajudar a preservar o legado e ampliar o espaço adequado da CT&I para o desenvolvimento do País”, disse o ministro.

No entanto, a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, entende que a criação do MCTIC é uma sinalização de que o setor perdeu protagonismo. “Em todos os lugares do mundo CT&I é considerado o motor da economia do País. Teremos um efeito cascata com essa decisão de fusão. Quando o governo sinaliza que a CT&I não é importante os estados começam a adotar medidas iguais”, lamentou a presidente.

Além de cartas contrárias à criação do MCTIC assinadas pelas entidades representativas do setor empresarial, científico, tecnológico e acadêmico, pesquisadores e funcionários das instituições de ciência e tecnologia estão promovendo ações nas redes sociais e na plataforma Lattes. Alguns estão trocando a imagem do perfil por um selo com a #ficaMCTI e #voltaMCTI. Os servidores do antigo MCTI já promoveram um abraço coletivo na sede em Brasília pelo fim da fusão.

Em Manaus, o Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Amazonas (Sindsep-AM) promoveu um ato contra a criação do MCTIC. A ação reuniu dezenas de pessoas, entre funcionários públicos, pesquisadores, professores e estudantes com faixas e cartazes criticando a decisão unir o setor de CT&I ao das comunicações

Aos parlamentares

Como de praxe, audiência pública com ministro de Estado convocado é sinônimo de plenário cheio. Deputados da oposição e da base governistas se revezaram nos microfones para defender a presidente afastada Dilma Rousseff e o interino Michel Temer. Em meio a troca de farpas, o debate político sobre a fusão das pastas descambou para gritos e análise de mérito sobre o processo de impeachment instaurado pelo Congresso Nacional. Teve até parlamentar tentando enfraquecer as manifestações de populares que acompanhavam a sessão com placas chamando o ministro Kassab de golpista.

Pouco antes do embate político, os convidados da audiência pública pressionaram os deputados alertando-os do papel deles no atual cenário de baixos recursos para a ciência, tecnologia e inovação. O presidente da ABC, Luiz Davidovich, apelou aos congressistas para garantir que haja mais recursos para o setor.

“Os cortes no orçamento do MCTI em 2016 estão prejudicando seriamente a concessão bolsas de estudos.Isso afetará a formação dos pesquisadores. Já está prejudicando o andamento de grandes projetos estratégicos nacionais, como o Reator Multipropósito Brasileiro, que produzirá radiofámacos, e o Sirius, a extensão da Luz Síncrotron que tem parceria com diversas empresas nacionais. Prestem atenção ao orçamento da CT&I porque aí está o futuro do País. A ciência brasileira é uma questão suprapartidária”, disse.

O secretário executivo Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais (Andifes), Gustavo Balduíno, pediu que as lideranças políticas se posicionem sobre a criação do MCTIC. “Quem defende a fusão que faça os argumentos e coloque na mesa para o debate. Fazemos um apelo, em nome do desenvolvimento sustentável, que seja feito um ambiente político de debate para ajudar o ministro interino a rever essa posição”, defendeu.

Já o secretário executivo do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), Luiz Carlos Nunes, ressaltou a importância de haver uma mobilização para reintegrar ao Marco Legal da CT&I (13.243/16) os vetos feitos pela presidente Dilma. “Existem várias maneiras de resgatar esses vetos, como um projeto de lei, que já tramita no Senado, e uma Medida Provisória”, disse ao pedir atenção especial para essa questão.

O ministro Kassab informou que a equipe do MCTI já trabalha numa proposta para sensibilizar o governo a editar a Medida Provisória, além de atuar também para aprovar o projeto de lei que tramita no Senado.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O segredo tecnológico da Rússia

Sputnik, via AEB
15 de junho de 2016



Qual é a contribuição dos estudantes da Universidade de Samara para criar satélites de tipo AIST? Como o projeto foi iniciado? O que alterou o princípio “Educação através de pesquisa”? Estes assuntos foram abordados pelo assistente da cátedra de construção de equipamentos espaciais da Universidade de Samara, Ivan Tkachenko.

Sputnik: Em 28 de abril a partir de cosmódromo Vostochny foi lançado e colocado em órbita o aparelho espacial de pequeno porte AIST-2D. Além de especialistas, estudantes da Universidade de Samara contribuíram para isso. Como foi iniciado o projeto?

Ivan Tkachenko: A ideia de criar uma série de pequenos aparelhos espaciais AIST pertence aos estudantes. Eles lançaram esta iniciativa ainda em 2006, depois participaram de todas as etapas da sua realização prática – desde o desenvolvimento até à produção e exploração do satélite de nova geração.

S.: O êxito de satélites AIST foi o resultado da cooperação de três equipes – especialistas do centro espacial de foguetes Progress, professores e cientistas, bem como a comunidade de estudantes da Universidade de Samara. Era difícil desenvolver tal cooperação? Quem assumiu o papel de líder?

I.T.: Em 2006 na Universidade foi estabelecido o Centro Juvenil de Ciência e Inovações que coordenou o projeto AIST dentro da universidade. A mesma estrutura foi criada dentro do Progress. De parte de Progress o projeto foi coordenado pelo grupo juvenil chefiado por Sergei Safronov. Quando era estudante do quarto ano, Sergei defendeu a sua tese e foi trabalhar para a empresa. Posso dizer o mesmo sobre especialistas do Progress. Como regra, são os graduandos da Universidade de Samara. Assim, foi desenvolvida a cooperação de muitos anos de várias gerações: um recém-graduando começou a trabalhar na empresa continuado a trabalhar sobre o projeto, mas já sendo um engenheiro de produção e o seu colega inferior ainda estava na universidade. Esta cooperação, provavelmente, levou ao êxito. A participação mais ativa do projeto AIST pertence às equipes chefiadas pelos professores Salmin e Semkin. A contribuição do reitor Shakhmatov e presidente Soifer – representantes da direção da universidade que apoiaram a iniciativa dos estudantes – também é muito importante.

S.: Como foi organizado o trabalho conjunto de estudantes e engenheiros?

I.T.: Não digo que foi elaborado um sistema específico para preparar pessoal ou para escolher participantes do projeto. Foi um processo vivo. A idade, bem como a área de estudos, não importava. O nosso objetivo, como coordenadores do projeto foi assegurar o acesso de estudantes à produção, preparar todos os documentos necessários, realizar consultas se forem necessárias. Assim, se habitualmente o estudante inicia o conhecimento da produção no fim dos estudos, durante os estágios, no nosso caso o conhecimento iniciou-se desde o começo de estudos. E torna-se a parte do processo de ensino. Tudo isso corresponde à concepção geral de preparação de estudantes da nossa universidade expressa na fórmula “Educação através de pesquisa”. É o princípio principal que segue a nossa universidade já por últimos dez anos.

S.: Como a participação de estudantes no processo de produção e mesmo o projeto influenciaram as aulas e contribuíram para resolver os objetivos educacionais da universidade?

I.T.: Somente com o uso de materiais telemétricos recebidos durante todos estes anos de aparelhos espaciais do tipo AIST foram elaborados alguns cursos práticos que são uma parte inalienável do processo de ensino de algumas disciplinas. O assunto de AIST foi tema de várias teses e trabalhos de estudantes. Os resultados das atividades espaciais tornam-se não somente parte do processo de ensino, mas também um patrimônio científico. O banco de cursos práticos, onde as informações de satélites AIST são usadas como materiais iniciais, permite aos novos estudantes que não tinham participado da pesquisa usar os resultados desta pesquisa.

Os temas principais ensinados aos estudantes nos últimos anos, na pós-graduação estão relacionados com as caraterísticas de durabilidade do aparelho espacial em várias etapas da sua exploração, parâmetros orbitais da movimentação de aparelhos espaciais, a sua orientação, análises de estado térmico do aparelho.

S.: Os estudantes conseguiram abordar assuntos deste nível em seus trabalhos somente graças à sua participação dos projetos AIST e AIST 2D?

I.T.: Em um sentido, sim. Antes, tarefas como esta eram solucionadas com base em exemplos abstratos, inventados pelos professores. Já um jovem participante deste projeto “calcula” uma construção perfeitamente real, mede os parâmetros que descrevem o estado dos aparelhos em voo. Além disso, graças ao fato de a “resposta” do espaço estar chegando sem interrupção, surge a possibilidade de exercer influência operativa no funcionamento do satélite, programando os parâmetros do seu equipamento científico, implementando alterações nos parâmetros dos sistemas de navegação e gestão. Ou seja, manter um diálogo com o aparelho em regime de comunicação recíproca. É exatamente aquilo que os pesquisadores que utilizam os resultados da telemetria “alheia” não se podem permitir.

S.: O projeto AIST fez dez anos. É difícil já imaginar o ensino na universidade, o funcionamento de certos departamentos. Aliás, quem inventou o nome do satélite?

I.T.: AIST é uma sigla. Quer dizer, em russo, Instituto de Aviação. Eis a razão: até 1990, a Universidade de Samara se chamava Instituto de Aviação de Kuibyshev e a sua logo era uma cegonha (“aist”, em russo), no fundo do sol nascente. Já a ideia do nome pertence a um dos professores da universidade, A.G. Prokhorov.

S.: Segundo o senhor, qual é a cota-parte da contribuição dos estudantes para o potencial técnico-científico do projeto, comparado com outros “contribuintes” – a universidade e a empresa?

I.T.: Ao se tratar do “hardware”, a contribuição da empresa e dos seus especialistas ultrapassa a contribuição da universidade. Quero transmitir gratidão especial ao dirigente da empresa Progress, Aleksandr Kirillin, graças ao qual a ideia se transformou em um aparelho espacial real. A contribuição da universidade contém uma parte de educação e uma de ciência, além da promoção do projeto. A contribuição dos estudantes está, principalmente, na iniciativa do projeto, na proposta dos primeiros esboços e na imagem externa do aparelho. Os alunos tomaram uma parte ativa na criação do equipamento científico que os AISTs usam. Junto com mestrandos e doutorandos, eles fizeram cálculos, agora eles asseguram o processo de recepção e tratamento das informações que os primeiros satélites enviam, porque a sua exploração foi completamente transferida para a universidade.

S.: E a última pergunta: o que, segundo o senhor, atrai os jovens no projeto?

I.T.: A participação de algo significante – do trabalho ou do projeto – eu acho que isso é muito importante, isso desempenha um papel importante na preparação de futuros engenheiros do ramo espacial e de foguetes.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Um Balanço da Gestão 2012/16 do INPE

Jornal do SindCT
Shirley Marciano
13 de junho de 2016

Leonel Perondi - Foto: Shirley Marciano
Depois do inesperado insucesso do CBERS-3, devido a uma falha do foguete Longa Marcha, o CBERS-4 tornou-se a vitrine do INPE, só embaçada pelo atraso no comissionamento das imagens.


Nos últimos quatro anos, as atividades-fim do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) caminharam relativamente bem, mesmo com a redução dos recursos disponíveis para o Programa Espacial Brasileiro. Este período, durante o qual o instituto foi dirigido por Leonel Perondi, foi marcado por dificuldades jurídicas, falta de recursos humanos e financeiros, interrupções em contratos, mas igualmente por avanços importantes nas atividades-fim do instituto, como o bem sucedido lançamento do satélite CBERS-4 e a participação de pesquisadores do INPE em atividades científicas internacionais, como o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática-IPCC e a Rede LIGO de observação de ondas gravitacionais.

Em 2012, surgiu a polêmica dos pequenos componentes de energia, os chamados conversores DC/DC. Eles foram comprados pelo INPE da empresa norte-americana Modular Device Incorporation (MDI), em 2009, para serem usados nos satélites sino-brasileiros CBERS-3 e 4. Após testes ambientais, na fase final de preparação do CBERS-3, os DC/DC passaram a apresentar problemas.

Que fazer? De um lado, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o então Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) pretendiam que os componentes fossem substituídos por outros do mesmo lote, de forma a não atrasar em demasia o cronograma original de lançamento do satélite. De outro lado, os técnicos do INPE envolvidos na fabricação do satélite, e a própria direção do instituto, adotaram posição mais cautelosa, buscando uma solução confiável para o uso dos DC/DC que apresentaram falhas, por meio da remoção desses componentes dos equipamentos tidos como mais críticos para o satélite, e consequente substituição por outro tipo de componente, mais seguro.

Improvável

A atitude prudente da equipe gerou maior atraso no lançamento do satélite, mas ofereceu o nível de confiança recomendado. Em dezembro de 2013 o CBERS-3 estava pronto para ser finalmente lançado da base de Tayuan, na China. Porém, o improvável aconteceu: o foguete chinês Longa Marcha 4B falhou — e o satélite foi perdido por causa de sua reentrada na atmosfera. Mereceu destaque nas edições do Jornal do SindCT o lançamento do CBERS-4 apenas 12 meses após o fracasso no lançamento do satélite anterior. A implementação das mudanças necessárias e a integração do satélite CBERS-4 dentro de um ano demonstrou uma importante capacidade de trabalho das equipes técnicas e gerenciais envolvidas. “O prazo era muito apertado, mas focamos no objetivo e lançamos dentro do prazo programado”, diz Perondi. “Toda a equipe trabalhou muito e com muita dedicação”.

Por outro lado, a demora na implantação do software responsável pelo processamento automático das imagens geradas pelo CBERS-4 foi um ponto negativo. O problema foi revelado na edição 34 do Jornal do SindCT, de fevereiro de 2015 (http://goo.gl/Vvn7LE). Por problemas de ordem administrativa e jurídica, a renovação do contrato da empresa responsável pelo desenvolvimento do software atrasou, retardando o processamento das imagens do satélite por cerca de oito meses. “Apesar dos problemas que tivemos, hoje nos orgulhamos da qualidade dessas imagens. Elas estão no mesmo nível das do satélite Landsat 8, da NASA”, comenta o diretor.

Diversas áreas do INPE destacaram-se no período. “Os satélites CBERS 3 e 4 são realizações importantes. Mas seria injusto se não citasse as demais áreas, como a de Ciências Espaciais, que passou a emitir boletins diários sobre clima espacial — ionosfera; a equipe da Observação da Terra-OBT, que se dedica aos projetos Prodes e Deter, de monitoramento e alerta para o Bioma Amazônico; e muitas outras áreas e projetos igualmente relevantes”, lembra Perondi.

Concursos

Episódio digno de nota envolveu o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climático (CPTEC), que por pouco não foi obrigado a interromper seus serviços. Em agosto de 2013, o INPE foi sentenciado pela Justiça Federal a anular 111 das 126 contratações temporárias realizadas em 2010, a maioria delas para o CPTEC. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado em novembro de 2013 entre MPF, Advocacia Geral da União e o instituto, determinando a realização de um concurso em 2014 e outras medidas. O concurso realizado em 2012 preencheria 40 das 111 vagas questionadas. Restaram 71 para o concurso de 2014, das quais 52 para atuar no CPTEC. O novo concurso foi realizado e as vagas preenchidas regularmente.

Problemas administrativos, como a interrupção de serviços das empresas terceirizadas que atuam na limpeza e jardinagem, em função da dificuldade na renovação de contratos ou na realização de novas licitações, trouxeram transtornos ao INPE. Perondi alega que a falta de servidores, principalmente da área de gestão, é o principal motivo das interrupções. Mas há reclamações quanto a atrasos excessivos na tramitação de processos internos; à centralização na tomada de decisões; e ao fato de que o Comitê Técnico-Científico (CTC) praticamente deixou de se reunir desde 2012.

Por fim, em 2014 o instituto celebrou contrato de R$ 70 milhões com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que prevê melhorias na recepção e distribuição de imagens de sensoriamento remoto para aprimoramento de programas destinados à região amazônica. Em 2016, firmou parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa (FAPESP) e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), que destina R$ 25 milhões para projetos empresariais inovadores que gerem produtos para aplicações espaciais.

A propósito...

Até o fechamento desta edição, o governo interino não havia anunciado o nome escolhido para dirigir o INPE no quadriênio 2016- 2020, entre os três elencados pelo Comitê de Busca. Quase dois meses após a elaboração da lista tríplice, sua composição não foi anunciada oficialmente e continua em sigilo. Extraoficialmente, sabe-se que o Comitê selecionou César Celeste Ghizoni, Ricardo Osório Galvão e Thelma Krug, mas se desconhece a ordem dos nomes na lista.

Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial Apresenta Projetos no Senado Federal

Agência da Força Aérea, via Brazilian Space (blog)
Ten Jussara Piccini
14 de junho de 2016

Fotos: Agência Senado/Pedro França
Os fundos de investimento no setor de Ciência e Tecnologia foram tema de audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática, nesta terça-feira (14/06), no Senado Federal. Essa é a segunda audiência pública, de um total de seis previstas, com objetivo de subsidiar com informações um relatório sobre a situação do setor. Nesta etapa, o assunto discutido foi o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (FUNTTEL).

“Sem pesquisa tecnológica, sem avanços, nós jamais seremos competitivos”, afirmou o presidente da Comissão, Senador Lasier Martins (PDT/RS) na abertura dos trabalhos.

Participaram da audiência, o diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Jorge Almeida Guimarães; o presidente do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Sebastião Sahão Júnior; o vice-diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o Major-Brigadeiro Engenheiro Fernando César Pereira Santos; e o vice-diretor do Instituto Evandro Chagas (IEC), Fernando Tobias Silveira. O Reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Anderson Ribeiro Correa, também esteve presente.

Localizado em São José dos Campos (SP) e com cerca de 5,5 mil militares e servidores civis, incluindo engenheiros e pesquisadores, o DCTA tem como missão ampliar o conhecimento e desenvolver soluções tecnológicas para fortalecer o Poder Aeroespacial, por meio de ensino, pesquisa, desenvolvimento, inovação e serviços técnicos especializados no Campo Aeroespacial. "Viemos dar uma satisfação dos recursos investidos nos projetos mais recentes. De que forma os recursos foram aplicados", explicou o Major-Brigadeiro Fernando.

O Vice-diretor do DCTA apresentou os investimentos realizados nos últimos cinco anos e os principais projetos em andamento gerenciados pelo órgão. O oficial-general também apresentou a organização e o papel dos institutos, que atuam em quatro grandes áreas: ensino, pesquisa e desenvolvimento; aeronáutica; defesa; e espaço. Para se ter uma ideia, o local reúne 159 laboratórios técnico-científicos, sendo 20 acreditados pelo INMETRO, empregados para atender a indústria aeroespacial, automobilística e de defesa. "Permeia toda a sociedade", afirmou o militar sobre a utilização dos equipamentos.

Na audiência, o Major-Brigadeiro Fernando também destacou as medidas de controle adotadas pelo órgão. Segundo ele,  os projetos têm acompanhamento semanal com avaliação de metas para todas as áreas. Entre os indicadores qualitativos e quantitativos de desempenho dos projetos estão metas físicas (como metas e prazos de execução) e financeiras (recursos disponibilizados, empenhados). Na área de ensino, as metas acadêmicas envolvem também número de publicações.
Projetos - O DCTA trabalha atualmente em oito grandes projetos estratégicos na área de espaço, principalmente, e em outros 117 projetos. Destes, 34 recebem apoio financeiro da FINEP (Empresa pública brasileira de fomento à ciência, tecnologia e inovação), o que representa 30% do total.

Nos últimos cinco anos, o DCTA recebeu R$878,6 milhões de investimentos, sendo que 13% dos recursos foram provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O que representou R$112,2 milhões . “É relevante a participação dos fundos no nosso orçamento”, avaliou o oficial-general. Os recursos do Comando da Aeronáutica respondem por 43% e da Agência Espacial Brasileira (AEB) 31%.

O Vice-diretor afirmou que, em virtude da natureza dos projetos envolvendo defesa nacional, as patentes (registros intelectuais) não são o principal foco. Mesmo assim, o DCTA tem 70 processos vigentes no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Instituto de Estudos Avançados (IEAv) e Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Destes, 19 já tiveram patentes concedidas.

Em relação aos projetos já concluídos que obtiveram apoio de fundos, destacam-se o de automação de montagem de estruturas aeronáuticas que implementou um dos laboratórios no ITA, cuja primeira fase envolveu estrutura de asas; o sistema de navegação e controle e o sistema de decolagem e pouso automáticos para VANT (veículos aéreo não tripulados); e os sistemas inerciais para aplicação aeroespacial.

Entre os em andamento, três estão ligados ao ITA: o programa de mestrado profissional, que já formou mais de 1,3 mil profissionais; a modernização dos laboratórios da área espacial; e o projeto de expansão do instituto, cuja conclusão das obras do prédio de ciências fundamentais é previsto para este ano.

Outro projeto em andamento, considerado estratégico pelo Comando da Aeronáutica, é o míssil de quinta geração, A-Darter. Desenvolvido em parceira com a África do Sul, o projeto totalmente financiado pela FINEP tem previsão conclusão em 2017. Os algoritmos de programação dos sistemas do armamento que vai equipar o Gripen NG foram desenvolvidos por engenheiros da Aeronáutica.

Necessidades Imediatas - Entre os entraves apontados para o desenvolvimento dos projetos no DCTA está a “perda de competências”. Há necessidade de repor profissionais, especialmente professores e pesquisadores, que estão se aposentado. “As vagas estão criadas por lei. Para ocorrer a renovação, precisa abrir concurso”, afirmou. Em 2012, a Lei 12.778 criou 143 cargos de docentes e 880 para pessoal técnico e administrativo em ciência e tecnologia.

Assim como os demais representantes de instituições ligadas ao desenvolvimento de ciência e tecnologia, o oficial-general da Aeronáutica defendeu regularidade nos investimentos para a área. “É unânime que esse é o principal problema. Precisamos de mais recursos e, fundamentalmente, mais regularidade nos recursos”, afirmou o Major-Brigadeiro Fernando.

O DCTA apresentou  como sugestão à comissão a proposta de estudo para uma linha de financiamento específica na área de espaço no âmbito do ministério da Defesa, para garantir e complementar os recursos da política espacial. "São projetos de Estado, com prazo de dez anos ou mais. Há necessidade de regularidade, com desembolso garantido com prazo maior", explica. 
Investimento x cientistas - De acordo com o presidente da Embrapii, Jorge Almeida Guimarães, atualmente, o Brasil investe cerca de 1,2% do PIB em pesquisa de ciência e tecnologia. Do montante, 40% provém de empresas.Alguns dos países que mais investem nesta área no mundo, como Finlândia, Korea do Sul e Japão, investem pelo menos 2% do PIB e a maior parte dos recursos provém de empresas. “Um dos desafios do setor é crescer o investimento em ciência e tecnologia e da participação do setor privado”, afirmou Guimarães.
Outro dado importante é o número de cientistas e engenheiros por milhão de habitantes. O Brasil dispõe de 600 cientistas e engenheiros por milhão de habitantes. Os países já citados têm cerca de 3 mil.

Saiba mais sobre o DCTA – O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) foi criado na década de 50 e engloba cinco institutos de pesquisa - Instituto de Tecnologia Aeroespacial (ITA), Instituto de Estudos Avançados (IEAV), Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Instituto de Fomento Industrial (IFI) e o Instituto de Pesquisa e Ensaios em Voo (IPEV). Além de dois centros de lançamento aeroespacial, um em Alcântara (CLA), no Maranhão; e outro na Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte. Também está subordinada ao DCTA a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), responsável pela condução de projetos de desenvolvimento, aquisição e modernização de equipamentos militares.

Conheça um pouco do trabalho do DCTA assistindo ao FAB em Ação sobre tecnologia aeroespacial

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Kassab conversa com comunidade científica em SP

Redação SindCT
Shirley Marciano
30 de maio de 2016

Assessoria Ministro Kassab/Divulgação
No dia 25/05, o ministro Gilberto Kassab, da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) esteve reunido em São Paulo com representantes da comunidade científica. Segundo ele, o objetivo era conhecer melhor as reivindicações do setor.

Participaram da reunião os secretários Jaílson Bittencourt de Andrade (Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento) e Álvaro Prata (Inovação); Helena Nader (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Mayara Zatz (Centro de Pesquisa do Genoma Humano e Células-Tronco), Jorge Kalil (Instituto Butantan), Marco Antonio Zago, reitor da Universidade de São Paulo, e Miguel Bucalem, da Escola Politécnica da USP. 

Vale ressaltar que Álvaro Prata já está sendo tratado pelo ministro como secretário, embora ainda não tenha sido nomeado oficialmente no Diário Oficial da União (DOU).  Jaílson permanece na mesma função que já ocupava, pelo menos, por enquanto.

"Na ocasião assumi o compromisso de trabalhar para viabilizar o financiamento de pesquisas, tentar elevar recursos próprios dentro da realidade atual e, também, contribuir para a tramitação dos projetos de interesse dos setores de ciência e inovação que estão no Legislativo", disse Kassab em sua página. 

Assessoria Ministro Kassab/Divulgação

No dia anterior, 24/05, a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado recebeu os representantes da comunidade científica para ouvi-los, e, de acordo com o presidente da CCT, Lasier Martins (PDT), a ideia é reunir as informações para serem apresentadas ao ministro Kassab numa outra data, a qual ainda não foi definida. O assunto principal debatido foi sobre a união dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com o das Comunicações (MC). 

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Associação Brasileira de Ciência (ABC)-- que também fizeram parte da mesa-- já haviam publicado um manifesto no qual expressaram contrariedade quanto a fusão do MCTI  com o  MC. 

Por fim, ficou a impressão de que o ministro Kassab não quis a interferência do Senado nesse primeiro contato com a comunidade científica, pois, se fosse do interesse dele, teria ido ao Senado debater. Talvez ele esteja tendo uma certa cautela política, porque o próprio Lasier já havia dado declarações contrárias à fusão dos ministérios. 

sábado, 28 de maio de 2016

José Raimundo da AEB em anúncio publicitário. Pode?

Redação SindCT
Shirley Marciano
28 de maio de 2016


Essa matéria publicitária foi divulgada no dia 25/05 no jornal O Vale. Nem um problema até aí, não fosse o fato do garoto propaganda ser o José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB). Isso pode?

Ele é um servidor público federal e deve atender ao interesse da nação e não de empresas. Por essa razão, estou estranhando. Numa matéria publicitária, quem paga coloca o que lhe é conveniente, mas, havendo uma autoridade, acaba chancelando o que lá está escrito, sendo verdade ou não.

Vamos apurar melhor essa fusão do Parque Tecnológico-- entidade de direito privado-- com a Cecompi, mas, de antemão, digo que já há desencontros de informação. Na primeira notícia que li, dizia que vai ser o maior parque tecnológico do Vale do Paraíba, na segunda que será o maior do País e nesta d O' Vale já está falando que será o maior do mundo. A próxima, provavelmente, dará conta de ser o maior do sistema solar. 

Por que essa publicidade toda? Não sei. A única coisa que tenho certeza-- e que está contida na matéria-- é que haverá muito dinheiro público chegando ali, enquanto os Institutos passam por economias absurdas.  

Aqui quis mostrar mais essa questão curiosa da foto com o José Raimundo. Mas, vamos apurar o que tem mais por aí. Se for bom, voltamos aqui para parabenizar. Se tiver algum problema, vamos certamente denunciar. 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Cientistas criam frente contra a fusão de ministérios

Estadão
26 de maio de 2016

Fábio Motta/Estadão
A exemplo de artistas e intelectuais que se uniram pela volta do Ministério da Cultura, cientistas, pesquisadores e professores universitários se mobilizam contra a fusão dos Ministérios da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI) e das Comunicações. Nesta quarta-feira (25), cem deles participaram do lançamento da Frente Contra a Extinção do MCTI, na Coordenadoria de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Eles programam uma série de ações, como abraço a prédios históricos, convocação de alunos e abertura de laboratórios nos fins de semana. De acordo com professores, a fusão já causou problemas: estudantes de 55 programas de formação de recursos humanos estariam sem receber bolsas. "A extinção do MCTI já impactou o pagamento de bolsas de alunos de graduação e pós-graduação vigentes no programa de recursos humanos (PRHs), que atuam nas áreas de petróleo e gás. São alunos que não têm como dar continuidade às pesquisas", afirmou a professora do Instituto de Química da UFRJ Jussara Miranda.

A preocupação dos cientistas é com a desorganização de redes de pesquisa. Em um caso como o da epidemia de zika, em que diversas instituições se mobilizam para entender desde a estrutura do vírus à microcefalia, passando pelo desenvolvimento de medicamentos e vacinas, não haveria resposta rápida se os grupos de pesquisas não estivessem ativos, com bolsistas, alunos de iniciação científica, mestrandos e doutorandos atuando nos laboratórios.

Para o reitor da UFRJ, Roberto Leher, a extinção do MCTI surpreendeu a comunidade científica brasileira, que estaria agora diante de um "aviso de incêndio". "É uma reforma sem debater com a cidadania, imposta por um governo interino."

Ele ainda criticou o deslocamento da ciência e tecnologia para um "âmbito inferior". "A fusão vai desarticular as políticas de ciência e tecnologia em curso nas universidades públicas. Com o MCTI, foi possível capilarizar a ciência em todo o território nacional."

Patrimônio
Ex-presidente da Agência Espacial Brasileira e ministro da Ciência e Tecnologia na transição entre os governos Fernando Collor e Itamar Franco, Luiz Bevilacqua disse que o patrimônio construído ao longo dos últimos 30 anos corre o risco de se perder. "Se a gente fecha uma fábrica de automóveis hoje, daqui a dois anos reabre sem grandes prejuízos. Mas interromper o processo de desenvolvimento científico e retomar depois de um ano é um desastre quase irrecuperável", comparou. 

Cientista da NASA sugere possível ligação entre buracos negros primordiais e matéria escura

Universo Racionalista/NASA
Jéssica Nunes (Autor: Francis Reddy)
25 de maio de 2016



A matéria escura é uma substância misteriosa que compõem a maior parte do universo material, hoje amplamente considerada algum tipo de partícula exótica massiva. Uma visão alternativa intrigante é que a matéria escura seja feita de buracos negros formados durante o primeiro segundo da existência do nosso universo, conhecidos como buracos negros primordiais. Agora um cientista da NASA Goddard Space Flight Center em Greenbelt, Maryland, sugere que esta interpretação se alinha com o nosso conhecimento do brilhos dos raios infravermelho e raios-X de fundo e pode explicar as inesperadamente elevadas massas dos buracos negros que foram detectados no ano passado durante uma fusão.

“Este estudo é um esforço para reunir um amplo conjunto de ideias e observações para testar o quão bem elas se ajustam, e o ajuste é surpreendentemente bom”, disse Alexander Kashlinsky, astrofísico da NASA Goddard. “Se estiver correto, então todas as galáxias, incluindo a nossa, estão incorporadas dentro de uma vasta esfera de buracos negros, cada um com cerca de 30 vezes a massa do Sol”.

Em 2005, Kashlinsky liderou uma equipe de astrônomos que usaram o Telescópio Espacial Spitzer da NASA para explorar o brilho de luz infravermelha de fundo em uma parte do céu. Os pesquisadores relataram uma excessivo retalhamento no brilho e concluíram que isso provavelmente era causado pelo acúmulo de luz das primeiras fontes a iluminar o universo a mais de 13 bilhões de anos atrás. Estudos de acompanhamento confirmaram que este fundo cósmico de infravermelho (CIB) mostrou uma estrutura inesperada semelhante em outras partes do céu.

Em 2013, outro estudo comparou o fundo cósmico de raios-X (CXB) detectado pelo Chandra X-ray Observatory da NASA com o CIB da mesma área do céu. As primeiras estrelas emitiam principalmente luz no comprimento óptico e ultravioleta, que hoje foi estendida para o infravermelho pela expansão do espaço, de modo que não deve contribuir significativamente para o CXB.

No entanto, o brilho irregular de raios-X de baixa energia no CXB combinava muito bem com o retalhamento do CIB. O único objeto que sabemos que pode ser suficientemente luminoso em toda esta vasta gama de energia é um buraco negro. A equipe de pesquisa concluiu que os buracos negros primordiais devem ter sido abundantes entre as primeiras estrelas, compondo, pelo menos, cerca de um em cada cinco fontes que contribuem para a CIB.

A natureza da matéria escura continua a ser uma das questões pendentes mais importantes da astrofísica. Os cientistas favorecem atualmente modelos teóricos que explicam a matéria escura como uma partícula exótica massiva, mas as pesquisas até agora não conseguiram encontrar provas que essas partículas hipotéticas realmente existam. A NASA está atualmente investigando esta questão como parte das missões Alpha Magnetic Spectrometer e Fermi Gamma-ray Space Telescope.

“Esses estudos estão fornecendo resultados cada vez mais sensíveis, encolhendo lentamente os lugares onde as partículas de matéria escura podem se esconder”, disse Kashlinsky. “O fracasso em encontra-las levou ao interesse em estudar o quão bem os buracos negros primordiais – buracos negros formados numa fração do primeiro segundo do universo – podem funcionar como matéria escura”.

Os físicos têm descrito várias maneiras de como o quente universo em rápida expansão pode produzir buracos negros primordiais nos primeiros milésimos de segundo após o Big Bang. Quanto mais velho o universo era quando esses mecanismos apareceram, maiores os buracos negros poderiam ser. E pelo fato deles terem tido apenas uma pequena fração do primeiro segundo de existência do Universo para serem criados, os cientistas esperam que os buracos negros primordiais apresentem um intervalo estreito de massas.

Em 14 de setembro, as ondas gravitacionais produzidas por um par de buracos negros que se fundiram a 1,3 bilhões de anos-luz de distância foram capturadas pelas instalações Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory (LIGO) em Hanford, Washington, e Livingston, Louisiana. Este evento marcou a primeira detecção de ondas gravitacionais, bem como a primeira detecção direta de buracos negros. O sinal forneceu aos cientistas do LIGO informações sobre as massas individuais dos buracos negros, 29 e 36 vezes a massa do Sol. Estes valores foram inesperadamente grandes e surpreendentemente similares.

“Dependendo de como o mecanismo funciona, os buracos negros primordiais podem ter propriedades muito semelhantes às dos buracos negros que o LIGO detectou”, explicou Kashlinsky. “Se assumirmos que este é o caso, que o LIGO pegou uma fusão de buracos negros formados no início do Universo, podemos olhar para as consequências que isso tem sobre a nossa compreensão de como o cosmos evoluiu”.

Em seu novo artigo, publicado dia 24 de maio no The Astrophysical Journal Letters, Kashlinsky analisa o que poderia acontecer se a matéria escura consistir de uma população de buracos negros semelhantes aos detectados pelo LIGO. Os buracos negros distorceram a distribuição de massa no início do universo, adicionando uma pequena flutuação que acarretou consequências centenas de milhões de anos mais tarde, quando as primeiras estrelas começaram a se formar.

Durante grande parte dos primeiros 500 milhões de anos do Universo, a matéria normal manteve-se demasiadamente quente para formar as primeiras estrelas. A matéria escura não foi afetada pela alta temperatura porque, seja qual for a sua natureza, ela interage principalmente por meio da gravidade. Agregados pela atração mútua, a matéria escura entrou em colapso pela primeira vez em aglomerados chamados minihaloes, o que proporcionou uma semente gravitacional permitindo o acúmulo da matéria normal. O gás quente entrou em colapso em direção aos minihaloes, resultando em bolsões de gás denso o suficiente para colapsar ainda mais por conta própria formando as primeiras estrelas. Kashlinsky mostra que, se os buracos negros desempenharem o papel de matéria escura, este processo ocorre mais rapidamente e facilmente produz a granulosidade do CIB detectada em dados do Spitzer, mesmo que apenas uma pequena fração do minihaloes tenham conseguido produzir estrelas.

À medida que o gás cósmico caiu nos minihaloes, seus buracos negros constituintes naturalmente capturaram um pouco dele também. A matéria que cai em direção ao buraco negro aquece e, finalmente, produz raios-X. Juntos, a luz infravermelha vinda das primeiras estrelas e os raios-X vindos do gás caindo em buracos negros de matéria escura, podem explicar a concordância observada entre o retalhamento do CIB e o CXB.

Ocasionalmente, alguns buracos negros primordiais irão se aproximar o suficiente para serem gravitacionalmente atraídos, formando sistemas binários. Os buracos negros em cada um desses binários vão, ao longo de eras, emitir radiação gravitacional, perder energia orbital e espiralar, em última análise, fundindo-se um buraco negro maior, como o evento observado pelo LIGO.

“Futuras observações do LIGO irão nos dizer muito mais sobre a população de buracos negros do Universo, e não vai demorar muito para sabermos se o cenário que eu esquematizei será suportado ou descartado”, disse Kashlinsky.

Kashlinsky lidera uma equipe científica centrada no Goddard, que está participando da missão Euclid da Agência Espacial Europeia, programada para lançamento em 2020. O projeto, chamado Librae, permitirá que o observatório sonde as populações de origem na CIB com alta precisão e determine qual porção do CIB foi produzida por buracos negros.