quinta-feira, 7 de junho de 2018

Programa espacial brasileiro tem falhas na divisão civil-militar

Jornal da USP
7 de junho de 2018

Marco Corrêa/Agência Brasil

No final da década de 80 e começo da de 90, o Brasil construiu seus dois primeiros satélites inteiramente nacionais. Eles eram simples: colhiam e transmitiam informações, mas eram os primeiros passos do país, e com eles vieram conhecimentos sobre a produção da tecnologia, como no tratado CBERS, assinado junto à China (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, em português). Para o Professor Ricardo Magnus Osório Galvão, do Instituto de Física (IF) da USP, e diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o que dificultou o desenvolvimento espacial no Brasil foram as deficiências na estruturação do próprio programa: a divisão entre a parte de lançamentos ficou a encargo militar, enquanto  a civil ficou a encargo do INPE. Segundo Galvão, nunca ficou claro como o programa seria comandado, caso contrário, hoje, o país teria uma situação melhor na área.

Galvão conta que o país, apesar de ter posicionamento geográfico favorável ー como o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, que permite lançamentos com custos mais baixos, devido à proximidade com o Equador ー ficou para trás no desenvolvimento de tecnologias espaciais, e dá o exemplo da Argentina, que começou as atividades espaciais depois do Brasil, mas já se encontra num estado de produção mais avançado ー são capazes de produzir satélites geoestacionários, muito importantes na área de telecomunicação, por exemplo, enquanto o Brasil ainda os importa de empresas francesas.

Sobre essa colaboração estrangeira, como na compra de satélites geoestacionários franceses, Galvão explica que a situação de sigilo das informações é delicada, pois, ao mesmo tempo em que não é fácil que o Brasil tenha acesso às tecnologias de outros países, é complicado que acessem informações sobre comunicações brasileiras. Um exemplo da delicadeza dessa questão é o caso de empresas brasileiras que entraram, pelo sigilo de informações, com ações contra o satélite geoestacionário brasileiro, lançado pela empresa Telebras em convênio com o Ministério da Defesa do Brasil e a empresa estadunidense ViaSat, em que se divide o satélite entre o uso militar e de telecomunicações. Galvão conta que, apesar dos problemas já existentes, envolvendo o primeiro satélite, o Brasil já faz planos para o segundo.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

EUA dão aval para negociar acordo espacial com o Brasil

O Globo
4 de junho de 2018

Foto: IAE

RIO E WASHINGTON - Os Estados Unidos deram o sinal verde para renegociar com o Brasil os termos de um acordo tecnológico que pode finalmente viabilizar o uso do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. O aval do Departamento de Estado foi dado há duas semanas. Ao GLOBO, o governo americano confirmou, por meio de nota, que abriu as negociações formais com o Brasil sobre o acordo de salvaguardas tecnológicas.

Esta é a primeira vez que os americanos aceitam retomar o assunto, depois que o Congresso Nacional rejeitou, há 16 anos, uma polêmica proposta que "blindava" a tecnologia estrangeira para lançar foguetes. Mas, em tese, também abria uma brecha para tirar do Brasil a soberania sobre áreas inteiras dentro da base de lançamento.

A retomada das negociações é um passo importante: significa que diversos organismos americanos aceitaram negociar. Como nos EUA este tipo de acordo não precisa passar pelo Congresso, é uma carta-branca para que o Departamento de Estado negocie.

Esta etapa inicial é a mais difícil de ser obtida e, nos últimos 16 anos, os EUA se recusaram duas vezes a chegar a este passo. Os EUA são os maiores produtores de componentes espaciais, cujo conteúdo é protegido por razões comerciais e de estratégia militar - lançadores e satélites têm tecnologia de uso bélico. Por isso, o acordo com os americanos é condição para qualquer parceria no setor espacial que tenha chances de prosperar.

Após encontro com o secretário de Estado, Mike Pompeo, o ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, confirmou a nova etapa das negociações e reconheceu que, sem um entendimento com os americanos, o centro de Alcântara não é viável.

— Acordamos de retomar as negociações para acorde de salvaguardas tecnológica com vistas à utilização da base de Alcântara. Se voce nao tiver um acordo que garanta a propriedade intelectual dos foguetes e dos satélites que serão lançados, nenhum satélite e nenhum foguete poderá ser lançado, pois a grande maioria dos lançamentos carregam tecnologia americana. O que eles querem é a defesa de seus segredos comerciais, o que é legítimo. E nós estamos discutindo sobre como exercer esta defesa sem que haja nenhuma violação à nossa soberania — afirmou o chanceler brasileiro.

O ministro brasileiro ainda informou que o tema será tratado durante a visita ao Brasil do vice-presidente do EUA, Mike Pence, prevista para os dias 26 e 27 de junho. Na ocasião, o vice-presidente americano ainda vai a Manaus, acompanhar a crise humanitária com os venezuelanos. E deve conhecer um dos campos montados para abrigar os refugiados. De acordo com o chanceler, a decisão é dar velocidade para as negociações.

— Nós estamos começando agora a discussao para ver quais pontos podem ser mantidos e onde é possível mudar, vendo as convergências e eventuais dificuldades. Mas o fato é que isso ficou parado por muitos anos e estamos retomando agora. Não tem prazo (para concluir a negociação). Tem prazo para começar rapidamente. O embaixador Sergio Amaral já, nesta semana, vai se encontrar com interlocutor designado pelo governo americano para iniciar efetivamente as negociações. Há uma disposição política (americana) para se chegar a um acordo.

A nova minuta de acordo levada pelo Brasil a Washington traz duas mudanças essenciais ao modelo que fracassou em 2002: altera a forma como a tecnologia americana ficaria protegida em solo brasileiro e o conceito sobre como deve ser usado o dinheiro resultante dos serviços de lançamento de satélites.

A primeira novidade acaba com a limitação de uma área física, dentro do centro de Alcântara, onde apenas funcionários contratados pelos americanos poderiam circular, cláusula que gerou enorme polêmica no passado. A proposta, agora, prevê a livre circulação de brasileiros, porém com restrições rígidas ao manuseio de contêineres com equipamentos de tecnologia sensível.

O outro ponto diz respeito à aplicação de recursos oriundos da atividade espacial. Na versão inicial, o Brasil não poderia reverter em investimentos para o setor uma eventual receita produzida com o serviço de lançamento de satélites. No novo rascunho, esta vedação foi suprimida.

Os EUA já encaminharam suas avaliações para análise brasileira. Nos próximos dias, o Itamaraty deve se reunir com os técnicos do setor para discutir detalhes da proposta que deve ser remetida ao Congresso. Não há previsão de data para que isso ocorra.

- Temos boas expectativas do ponto de vista técnico. Estamos em condições de ainda fazer pequenos ajustes na questão territorial para entrar em entendimento. Essas mudanças resguardam a tecnologia estrangeira sem afetar a nossa soberania. Estamos seguros quanto a isso - afirmou uma fonte brasileira, sob a condição do anonimato.

Os americanos têm acordos desta natureza com vários países, como parte do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). No caso brasileiro, interessa aos Estados Unidos uma redação semelhantes à adotada para cooperar no setor espacial com a Índia e a Nova Zelândia. Um outro negociador brasileiro afirma que a minuta em debate hoje é "muito parecida com o acordo com a Nova Zelândia".

MERCADO PARA LANÇAMENTOS

Este acordo interessa muito mais ao Brasil do que aos EUA, que já têm o mais relevante programa espacial do planeta e hoje prioriza missões de alcança interplanetário, como a Orion, que pretende fazer o homem retornar à Lua ou chegar a Marte. Para o governo brasileiro, o acordo com os EUA é a chance de tirar do ostracismo uma base de lançamento que tem como trunfo a localização privilegiada no globo, capaz de alcançar o espaço percorrendo menor distância e, portanto, com economia de propelente.

Aqui, um detalhe: o tempo corre contra o Brasil. Se demorar muito para explorar Alcântara, novas tecnologias, como a lançamento de foguetes a partir de aviões, devem se consolidar, reduzindo a vantagem competitiva da base brasileira.

QUESTÃO POLÍTICA

O problema é que, para viabilizar o acordo, além do aval da Secretaria de Estado dos EUA, é preciso da aprovação do texto pelo Congresso Nacional, envolto no debate eleitoral e acuado pela Lava-Jato. Diplomatas brasileiros reconhecem que o assunto "soberania" sempre vem a reboque dos debates sobre o uso de Alcântara.

Autoridades envolvidas nas negociações afirmam que o tema foi muito ideologizado e que há uma visão errônea de que o acordo poderia ferir a soberania nacional. Além do argumento de que este tipo de acordo existe com todos os países que esta capacidade de lançamento - inclusive a Rússia -, os defensores do tratado com os americanos afirmam que isso colocaria o Brasil no rol dos 10 países que poderiam deter toda a cadeia do programa espacial. Além disso, o acordo tende a atrair para o Brasil uma cadeia de empresas americanas no setor aeroespacial. Hoje, há muito mais europeus que americanos no polo tecnológico de São José dos Campos (SP).

Sobre uma possível dificuldade para aprovar o acordo no Congresso Nacional, o ministro se mostrou otimista.

— Essa questão sobre se retomar este acordo é hoje em dia bastante pacificado no Brasil, dois ministros da Defesa, e um ministro das Relações Exteriores dos governos Lula e Dilma disseram na Comissão de Relações Exteriores (do Senado) que é positivo para o Brasil retomar este tema.

Negociadores afirmam que o atual momento favorece o acordo. Se no início dos anos 2000 tratava-se apenas de uma iniciativa governamental, agora há interesse de empresas privadas dos dois países. E isso ocorre porque, com a tecnologia, os satélites estão ficando menores e podem ser lançados de veículos lançadores médios. Assim, além do uso comercial de Alcântara, o acordo pode impulsionar o projeto de um veículo de lançamentos brasileiro, desenvolvido em parceria com a Alemanha.

Se o acordo com os EUA prosperar e for aprovado pelo Congresso Nacional, existem ao menos duas empresas americanas - e uma brasileira - interessadas em explorar o centro. Nos EUA, a SpaceVector e a Electron atuam no mercado de nanossatélites e já demonstraram disposição de investir para fazer lançamentos a partir de Alcântara. Já no Brasil, a Avibrás, que desenvolve o motor para ser usado pelo programa espacial brasileiro, tem interesse em explorar o mesmo nicho.

A última tentativa para o uso de Alcântara para o lançamento de satélites ocorreu no projeto Cyclone 4, quando o Tesouro investiu quase R$ 500 milhões para lançar da base no Maranhão um foguete europeu. Como o projeto não se mostrou viável comercialmente e tecnicamente, todo o dinheiro foi para o ralo e o programa foi cancelado em 2015. O Brasil, agora, tenta negociar com os ucranianos uma equação para liquidar a empresa criada para administrar a empreitada fracassada.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Qual é o propósito da Ciência?

Academia Brasileira de Ciências, via Jornal O Globo
Luiz Davidovich
29 de maio de 2018



Uma teoria com beleza matemática é mais provável de ser correta do que uma teoria feia que concorde com alguns dados experimentais. (Paul Dirac, 1902-1984)

No início do século 20, um grupo de jovens provoca uma revolução na ciência, ao formular uma teoria que se afasta radicalmente dos conceitos clássicos: a física quântica. Surge então uma nova visão da natureza: a luz comporta-se ora como ondas, ora como se fosse constituída de corpúsculos; átomos e elétrons poderiam também ter comportamento típico de ondas. O primeiro vislumbre aparece com os trabalhos de Max Planck, em 1900 e de Albert Einstein , em 1905. Os jovens responsáveis por essa reviravolta conceitual não tinham nenhuma ideia sobre possíveis aplicações dessa nova física: movia-os a curiosidade e a paixão pelo conhecimento.

Cem anos depois dos trabalhos de Planck, um artigo publicado na revista "Scientific American" pelos físicos norte-americanos Max Tegmark e John Archibald Wheeler mostrava que, no ano 2000, cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano eram baseados em invenções tornadas possíveis pela física quântica, de semicondutores em chips de computadores a lasers em reprodutores de CDs e DVDs, aparelhos de ressonância magnética em hospitais, e muito mais.

A história é rica em exemplos de descobertas em ciência básica, movidas pela curiosidade, que acabaram provocando grandes transformações no quotidiano da humanidade. Assim foi com a eletricidade, explorada em experimentos pelo grande físico britânico Michael Faraday. Foi ele quem descobriu, em 1831, que uma corrente elétrica era produzida em um fio de cobre, ao movê-lo em um campo magnético — descoberta que deu origem aos geradores de energia elétrica. Questionado pelo então Ministro das Finanças britânico, Sir William Gladstone, sobre a utilidade do efeito que acabara de descobrir, Faraday responde: "Há uma alta probabilidade, Sir, que em breve o senhor poderá taxá-la”.

Também no Brasil, a ciência teve um retorno fantástico: aumentou enormemente a eficiência da agricultura, tornou possível a extração de petróleo do pré-sal — hoje mais que 50% da produção brasileira —, permitiu o enfrentamento de epidemias emergentes, o enriquecimento de urânio para centrais nucleares e o aparecimento de diversas empresas de alta tecnologia com protagonismo internacional.

Hoje em dia, a velocidade crescente do avanço científico e tecnológico diminui a distância entre descobertas de ciência básica e suas aplicações. Por isso mesmo, em 2012, em meio à crise global que afeta a taxa de crescimento de sua economia, a China aumenta em 26% os recursos para pesquisa básica. A União Europeia planeja alcançar, no ano 2020, 3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. Coréia do Sul e Israel já ultrapassam os 4% do PIB. Enquanto isso, o financiamento à pesquisa no Brasil está estagnado, em torno de 1% do PIB, o que ameaça as conquistas já alcançadas e mina o desenvolvimento econômico e social do país.

Mas a ciência não deve ser justificada apenas em função de suas possíveis aplicações. Se assim fosse, como entender o entusiasmo em torno do anúncio, em 2016, da detecção de ondas gravitacionais produzidas por uma colisão de buracos negros, ocorrida há mais de um bilhão de anos atrás, motivo de manchetes de jornais em todo o mundo e do Prêmio Nobel de Física em 2017? Como entender a fascinação provocada pela descoberta de um novo elo na evolução da espécie humana?

A curiosidade está inscrita no DNA humano. Trata-se de buscar respostas para questões fundamentais: quem somos, de onde viemos, qual o nosso lugar no Universo. A busca pelo desvelamento dos enigmas da natureza está intimamente ligada ao senso de beleza, que justifica a frase do grande físico Paul Dirac e é fundamental para o propósito humano. Einstein dizia que “A coisa mais bela que podemos experimentar é o misterioso. Essa é a fonte de toda verdadeira arte e toda a ciência. Aquele para quem essa emoção é estranha, aquele que não pode mais fazer uma pausa para refletir e ficar absorto em admiração, está praticamente morto: seus olhos estão fechados”.

Einstein dizia também que “o eterno mistério do mundo é sua compreensibilidade”. Está aí talvez o grande enigma da ciência, aquele que une de forma indissolúvel o Universo com aqueles que o observam: através da ciência, o Universo é descrito por uma parte sua, a chamada “vida inteligente”, que obsessivamente procura entender os mistérios do mundo em que vive e as respostas para sua própria existência.

Luiz Davidovich  é Professor Titular do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Presidente da Academia Brasileira de Ciências

terça-feira, 29 de maio de 2018

Telebras e VIASAT terão que pagar multa de R$ 5,1 milhões à Via Direta

Poder 360
Marlla Sabino
28 de maio de 2018, atualizado em 29 de maio, 7h29

Foto: Visiona

A Justiça Federal do Amazonas determinou que a Telebras e a VIASAT paguem multa de R$ 5,1 milhões à Via Direta em até 10 dias (íntegra).

A juíza Jaiza Maria Fraxe, da 1ª Vara Cível da Justiça Federal no Amazonas, alega que as empresas descumpriram a ordem de apresentar a íntegra, sem tarjas, do contrato que envolve a exploração comercial do satélite SGDC.

A estatal brasileira chegou a enviar uma cópia do documento para a Justiça, no entanto, tarjou todas as informações sobre o plano de negócio das empresas, modelo da venda e valores. O documento foi recusado pela Justiça do Amazonas.

A juíza estipulou prazo de 48 horas para a empresa apresentar uma cópia do contrato à Justiça. Na decisão, a magistrada afirmou que, caso o prazo não seja cumprido, será feita busca e apreensão do documento pela PF (Polícia Federal).

A diretora jurídica da Telebras, Isabel Santos, afirmou que a empresa ainda não foi notificada sobre as determinações. Ela disse ao Poder360 que, em nenhum momento, a estatal de telecomunicações se recusou a cumprir os prazos e determinações da Justiça.

“A Telebras não se opõe de forma nenhum a ordem judicial. Solicitamos que fosse adotado 1 procedimento para resguardar o sigilo do documento. Vários documentos vazaram”, disse.

Isabel afirmou que a estatal solicitou a entrega física do documento, em pasta reservada, à Justiça. Segundo ela, a empresa está aberta à inspeção judicial do Poder Judiciário e do Ministério Público.

Segundo a diretora jurídica, não há intenção de esconder o contrato. Ela explicou que, em fevereiro, quando as empresa fecharam a negociação, foi enviada uma cópia do contrato ao TCU (Tribunal de Contas da União).

“A Telebras é uma empresa estatal que atua em pé de igualdade à iniciativa privada nesse setor. Não queremos que nossos concorrentes possam ter acesso às cláusulas com informações comerciais. Uma vez que o contrato for aberto, não tem reversão”, afirmou.

Para a juíza, no entanto, não basta o contrato ter passado pelo crivo do TCU. “O fato não retira das requeridas o dever de cumprir as determinações da Justiça Federal de apresentar o documento sem tarjas ou qualquer artifício que possa dificultar (pelas partes, MPF e Juízo) a compreensão do seu teor”.

A ação foi movida pela empresa amazonense Via Direta, que alega que estava negociando com a empresa para usar 15% da capacidade do satélite.

Ao Poder360, o presidente da Telebras, Jarbas Valente, afirmou que a empresa chegou a demonstrar interesse, mas não houve negociações.

CONTRATO SUSPENSO

A juíza questionou a Telebras por manter o satélite em funcionamento, gerando internet na fronteira do estado de Roraima, mesmo após a suspensão do contrato, em março.

“A própria Telebras informa em sua contestação que as operações foram iniciadas na Escola Municipal Casimiro de Abreu e na Escola Indígena Tuxaua Silvestre Messias, na data de 30.03.18, e não foram interrompidas, confirmando sua indiferença em face das determinações judiciais”, escreveu.

A diretora jurídica explicou que as instalações foram feitas antes da Telebras ser notificada da decisão de suspensão do contrato. Segundo ela, desde que a empresa teve ciência, nenhuma instalação ou manutenção no sistema foram feitas.

NASA e Alemanha lançam nesta terça (22) satélite climático junto com a SpaceX

Nasa, via CanalTech
Wagner Alves
22 de maio de 2018

Like GRACE, the twin GRACE-FO satellites will follow each other in orbit around the Earth, separated by about 137 miles (220 km). Seen in an artist's rendering. Credit: NASA

A NASA, em parceria com a SpaceX e o governo alemão, enviam na tarde desta terça-feira (22) um novo satélite para monitoramento climático. Chamado de GRACE-FO, da sigla em inglês German Gravity Recovery and Climate Experiment Follow-on, o aparelho será lançado com um foguete Falcon 9 a partir das 16h45, no horário de Brasília, direto da Vandenberg Air Force Base, localizado na Califórnia. A SpaceX vai transmitir o lançamento.

O conjunto vai levar cinco Iridium NEXT, satélites de comunicação, e os dois GRACE-FO. A produção foi feita em conjunto da NASA com o German Research Centre for Geosciences, centro de pesquisas alemão. Esta missão tem o objetivo de substituir os satélites GRACE, lançados em 2002 e que encerraram suas operações no ano passado. Por isso, a adição de “Follow-on” ao nome, que pode ser entendido como acompanhamento ou sequência. 

Os dois aparelhos trabalham em conjunto usando sinais de microondas para analisar e enviar dados relacionados a condições climáticas, ciclo da água, níveis de degelo e outros dados que podem colaborar para com o entendimento das mudanças climáticas e participação humana no processo.

"Durante os 15 anos de operação da missão, o conjunto de satélites mediu o campo gravitacional da Terra e suas variações de uma maneira altamente precisa, o que nos ajuda, por exemplo, a documentar com precisão as mudanças no armazenamento de água subterrânea ou no recuo glacial. Também a influência resultante na elevação do nível do mar pode ser detectada graças às medidas do GRACE. A missão, assim, contribuiu substancialmente para uma melhor compreensão do sistema Terra”, informa a Agência em nota.

De acordo com o site da NASA, o foguete e o conjunto já estão em posição de lançamento desde a noite de segunda-feira. A proposta é que esta nova missão dure por cinco anos.

Brasil terá satélite totalmente desenvolvido pela indústria brasileira

Defesa e Segurança
28 de maio de 2018



Os resultados das discussões com as instituições de fomento do País, no 1º Fórum da Indústria Espacial Brasileira, promovido pela Agência Espacial Brasileira (AEB), em novembro de 2017, em São José dos Campos (SP), contribuíram muito para um acordo que culminou no projeto-piloto de um satélite a ser desenvolvido totalmente pela indústria brasileira.

O contrato foi assinado pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação (Embrapii), o Instituto Senai de Inovação de Florianópolis (SC) e a empresa Visiona Tecnologia Espacial, joint venture da Telebrás. O programa está orçado em R$ 7,8 milhões, dos quais R$ 2,6 milhões serão financiados sem reembolso pela Embrapii.

Com 11 quilos, o microssatélite contará com um subsistema ainda não totalmente desenvolvido pelo Brasil, denominado Sistema de Controle de Atitude e Órbita (AOCS), um rádio reconfigurável e uma pequena câmera de observação da Terra. As três tecnologias serão validadas em órbita com o lançamento do microssatélite, previsto para acontecer daqui a 18 meses.

Tecnologia Espacial
Segundo o presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho, foi feito um grande investimento para que o software fosse desenvolvido aqui no País, testado em voo e qualificado para ser utilizado em outros satélites. “Todo esse processo representa iniciativa de uma empresa brasileira que atua na área espacial, e demonstra uma atitude empresarial ousada que vai ajudá-la a se qualificar e se destacar no setor espacial”.

Para o diretor de Satélites, Aplicações de Desenvolvimento da AEB, Carlos Gurgel, “o desenvolvimento desse satélite contribuirá para a consolidação de uma empresa integradora de satélites no Brasil”. Já o diretor de Tecnologia Espacial da Visiona, Himilcon Carvalho, ressaltou que esse satélite promoverá uma grande evolução na autonomia tecnológica do País.

Segunda Edição do Fórum da Indústria Espacial
As oportunidades identificadas no Fórum da Indústria Espacial, de acordo com o presidente da AEB, estão surtindo efeito, e, com certeza, irão impulsionar ainda mais o setor em agosto deste ano, quando acontecerá a 2ª edição do Fórum da Indústria Espacial, organizado pela AEB, em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Parque Tecnológico São José dos Campos (SP).

Tudo isso reforça a importância da aproximação do governo com as indústrias e o setor acadêmico. “São em momentos como esses que as relações se estreitam e surgem grandes projetos, como esse firmado com a Embrapii/Senai”, concluiu José Raimundo.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Dois Foguetes para o Programa Espacial Brasileiro: VS-43 e VS-50

Tecnologia e Defesa
Roberto Caiafa
22 de maio de 2018



Após o anuncio do fim do Projeto VLS-1, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) divulgou o interesse em aumentar a família se foguetes de sondagens a disposição do Programa Espacial Brasileiro,  desenvolvendo dois novos e poderosos foguetes, o VS-43 e o VS-50.

O VS-50 (foguete baseado no motor S50 do desejado VLM-1) foi definido durante as negociações entre o IAE e o Centro Espacial Alemão (DLR) visando um novo foguete europeu de sondagem para substituir o modelo norte-americano Castor-4B que atende o Programa MAXUS  de microgravidade.

O Interesse do IAE no desenvolvimento do VS-43 (foguete baseado no motor S43 do VLS-1) não é exatamente novo, pois este projeto já existia quando foi divulgada a segunda versão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE 1998-2007), da Agência Espacial Brasileira (AEB).


Foguete VS-43


O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) vislumbrou a possibilidade de desenvolver um veículo suborbital controlado baseado nos estágios superiores do VLS-1 (3º e 4º estágios), mas com a utilização do propulsor S43 no lugar do S40, levando-se em consideração a estratégia de desenvolvimento dos veículos de sondagem.

Esse veículo, denominado VS-43, seria o meio para desenvolver diversos subsistemas necessários para uma missão de satelitização. O VS-43 foi identificado como uma plataforma de testes ideal para o desenvolvimento de soluções para as seguintes áreas:

a)teste do SISNAV;
b)rede de controle, guiamento e navegação; rede de telemetria; rede de destruição e rede de serviço; e
c)eventos necessários para a satelitização: separação de coifa, basculamento, rotação e separação.
Além disso, o VS-43 também terá potencial para ser utilizado no cumprimento das seguintes missões:

a)teste de experimentos tecnológicos e em ambiente de microgravidade;
b)teste de Scramjets em camadas superiores da atmosfera;
c)teste de experimentos de reentrada atmosférica (SARA).
Adicionalmente, o IAE possui especial interesse no VS-43 pois:

a)sendo um veículo muito mais simples que o VLS-1 e bem mais complexo que um VS-40 ou Sonda IV, o desenvolvimento do VS-43 será uma excelente oportunidade para o IAE revisar, implementar e consolidar metodologias para o gerenciamento e desenvolvimento de projetos complexos;
b)possibilita a utilização do estoque adquirido pelo projeto do veículo VLS-1;
c)possibilita a utilização de toda a infraestrutura criada para o VLS-1 no IAE e no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA)
O sistema sera composto (preliminarmente), por:

a)veículo: saia traseira com empenas, um motor S43 como primeiro estágio, baia de controle de rolamento, baia de equipamentos, um motor S44 como segundo estágio, cone de acoplamento e coifa;
b)banco de controle e linha de fogo;
c)sistema de aquisição e processamento de dados de telemetria;
d)sistema de carregamento de nitrogênio;
e)equipamentos de apoio ao solo e dispositivos para testes;
f)embalagens, manuais e procedimentos de integração;
g)estrutura de lançamento e rastreio já existente no CLA composta por: SISPLAT, casamata, PPP, PPCU, terminação de voo, radares e outros.
O IAE finaliza dizendo que espera que o VS-43 seja o veículo ideal para auxiliar o preenchimento da lacuna existente entre os veículos Sonda IV, VS-40 e VLS-1, a fim de assim dar continuidade na lógica de desenvolvimento iniciada com a família de veículos de sondagem.

Foguete VS-50

A configuração básica do foguete VS-50 será composta por um propulsor sólido S50 no seu primeiro estágio e um propulsor S44 no segundo estágio.

O veículo será concebido em conjunto com a base móvel de foguetes (MORABA) do Centro Espacial Alemão (DLR) visando ensaiar:

a)experimentos do projeto SHEFEX;
b)componentes que poderão ser utilizados no projeto VLM
c)principalmente para desenvolver, fabricar e qualificar em voo o motor S50.
Seu comprimento será de 12 m, seu diâmetro de 1,46 m e massa estimada de 15 toneladas e o seu desenvolvimento foi iniciado em 2014 em parceria com o DLR alemão.

Entretanto vale dizer que, apesar de ser um importante meio para desenvolver tecnologias necessárias para o VLM-1 e para as futuras gerações de veículos lançadores, não faz parte do escopo do projeto a redução dos riscos associados aos eventos necessários para a satelitização.

Fato que reforça a necessidade do desenvolvimento do veículo VS-43.

AVIBRAS vai abrir nova unidade em Lorena (SP) para atender ao Programa Espacial Brasileiro

Defesa e Segurança
23 de maio de 2018



A Avibras conseguiu aporte do BNDES para construção de uma nova fábrica em Lorena (SP). Segundo a empresa, a unidade será especializada na fabricação de polímero PBHT (Polibutadieno Hidroxilado), um dos insumos utilizados na fabricação de combustível sólido (propelente) para foguetes e mísseis, com vistas a atender o Programa Espacial Brasileiro e seus contratos para fornecimento de Produtos de Defesa. Ainda de acordo com a Avibras, o investimento da nova fábrica é de mais de R$ 72 milhões para a construção, sendo a maior parte proveniente de recursos próprios da empresa e apenas uma parte desse montante decorrente de financiamento 100% reembolsável do BNDES.

” Essa é uma decisão de investimento da empresa, estratégica para o Brasil e para a Avibras, pois é fundamental para o resgate da soberania nacional na produção de combustível sólido, essencial para as atividades aeroespaciais. O domínio do processo de produção, materializado pela construção da fábrica de PBHT, vai restabelecer a auto-suficiência em sua produção e resguardar o interesse nacional de embargos, uma vez que tal insumo é produzido por poucos países no mundo e nenhum destes no hemisfério sul”, disse a empresa em nota ao site Indústria de Defesa & Segurança.

De acordo com a Avibras, o início das operações da unidade está previsto para o final de 2019. A fábrica estará capacitada para produzir até 2000 toneladas de PBHT/ano. Além das aplicações no mercado de Defesa e Aeroespacial, o PBHT possui várias aplicações como insumo no mercado civil, tais como isolantes, selantes adesivos, impermeabilizantes, encapsulamento, revestimentos, películas, etc. “A produção de PBHT reforça a vocação industrial química dessa planta, que já produz PCA (Perclorato de Amônia), um outro elemento essencial para a fabricação de combustível sólido”, disse em nota. Ainda segundo a empresa, a nova fábrica representará um aumento expressivo de empregos diretos e indiretos na região.

Avibras e o Programa Espacial Brasileiro

A Avibras participa do Programa Espacial Brasileiro desde a década de 1960, quando fabricou os primeiros foguetes Sonda I e Sonda II. Nos últimos anos, a AVIBRAS fabricou mais de 500 foguetes de treinamento para serem lançados do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Atualmente participa do desenvolvimento e da fabricação dos motores foguetes S50 do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1), contratada pela Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate) e Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) no âmbito do Programa Nacional de Atividades Espaciais da Agência Espacial Brasileira.

Com sua expertise no setor aeroespacial no desenvolvimento de soluções tecnológicas nacionais, que remontam desde a pioneira participação no início do Programa Espacial Brasileiro, a Avibras é a única empresa 100% brasileira de capital privado, com competências próprias para integrar veículos lançadores para o Programa Espacial Brasileiro em elaboração pelo governo através do Comitê do Programa Espacial Brasileiro coordenado pelo Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General de Exército Sergio Westphalen Etchegoyen.

Segundo a empresa, é perceptível uma dinamização no mercado de pequenos satélites com aumento de demanda internacional por mais centros de lançamento. “A Avibras acredita que o Brasil pode desempenhar papel relevante no mercado Espacial pois adquiriu diversas competências básicas através de Pesquisa e Inovação no setor Espaço ao longo de quase seis décadas, desenvolveu uma base industrial competente e possui uma base de Lançamento em Alcântara (CLA), com posição geográfica privilegiada, fatores poucas vezes reunidos num único país. Reconhecida mundialmente pela excelência e pela qualidade de seus produtos e sistemas, a Avibras está entre as 100 maiores empresas exportadoras do Brasil e tem orgulho de integrar a Indústria Estratégica de Defesa Brasileira“, finalizou.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Briga por satélite dá prejuízo de R$ 800 mil por dia, diz presidente da Telebras

Folha de S Paulo
Natalia Portinari
14 de maio de 2018

O presidente da Telebras Jarbas Valente, em seu gabinete em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress

SÃO PAULO - Lançado em maio de 2017, o satélite de telecomunicações estatal SGDC é alvo de uma disputa que paralisa o programa Internet para Todos, do governo federal, e põe em risco um investimento público de R$ 2,8 bilhões.

O problema começou com um edital, em outubro do ano passado, para eleger a empresa que se associaria à estatal para distribuir a banda larga do satélite. Nenhuma empresa privada compareceu.

Quando, em fevereiro, o grupo americano Viasat fechou um contrato diretamente com a Telebras, a concorrente Via Direta, também interessada no SGDC, questionou se a parceria estaria de acordo com a Lei das Estatais. O caso está em análise no STF(Supremo Tribunal Federal).

Para o presidente da Telebras, Jarbas Valente, a Justiça tem dificuldades de entender o assunto, que é muito técnico, e as empresas que questionam a parceria são movidas por interesse comercial.

Como se explica a oposição ao contrato com a Viasat?

Entendemos como uma questão comercial. A Telebras não pode atuar diretamente no mercado de banda larga, estamos proibidos pelo decreto que recriou a empresa. Com essa parceria, trouxemos um novo parceiro ao mercado. As concorrentes que não participaram do chamamento [do leilão] no ano passado e depois participaram da discussão privada com a Telebras [neste ano] talvez não esperassem esse desfecho.

Qual é a resposta ao argumento de que o contrato desrespeita a Lei das Estatais por não oferecer à Viasat as mesmas condições que estavam no chamamento público?

Na realidade, é o contrário. [A lei permite o afastamento de licitação caso ninguém acuda ao chamamento, desde que mantidas as condições do edital, e quando a empresa está comercializando produtos, serviços ou obras relacionados a seus objetos sociais, como telecomunicações, no caso].

Um argumento é que deveríamos contratar três empresas, mas no chamamento já estava previsto que quem ganhasse o primeiro lote poderia levar também o segundo. Ou seja, estamos respeitando exatamente a Lei das Estatais.

Não há sentido em dizer que só a Viasat teve a oportunidade de ficar com os dois lotes. As outras também tiveram e não levaram porque não fizeram as melhores propostas.

Outro ponto apontado pelos concorrentes é que, por se tratar de uma empresa estrangeira, o acordo fere a soberania nacional.

O edital [de 2017] também especificava que a empresa poderia ser estrangeira desde que abrisse firma no Brasil, o que foi feito pela Viasat. Diga-se de passagem, não há quase nenhuma empresa nesse setor com capital exclusivamente brasileiro exceto a própria Telebras.

Foi dito também que haveria risco de a empresa ter acesso à banda X [de uso militar], mas não tem nada disso. O Ministério da Defesa deu um parecer aprovando o negócio. A banda Ka [de uso civil] também será controlada exclusivamente pelo governo.

Por que a Telebras não divulga o conteúdo do contrato com a Viasat, como pediu a Justiça?

Como a Viasat é uma empresa aberta na Bolsa nos Estados Unidos, tem condições de confidencialidade que somos obrigados a cumprir. Mas nunca escondemos o contrato de nenhum órgão e jamais esconderíamos da Justiça. Antes de assinar a parceria, encaminhamos para o TCU a minuta do contrato e a documentação que comprovava por que a empresa foi escolhida ante as outras propostas. O processo está em análise.


O SGDC tem uma vida útil de 18 anos. Qual o prejuízo de ele estar em órbita sem uso?

O prejuízo diário de não uso do satélite é de R$ 800 mil por dia. Acumulado, está em torno de R$ 25 milhões. Se não conseguirmos viabilizar a operação nos próximos cinco anos, chega a R$ 2,4 bilhões, que é praticamente o valor investido no satélite. Se o contrato vier a ser interrompido, será um prejuízo de R$ 100 milhões, teremos de devolver dinheiro do contrato que o ministério assinou com a Telebras, além das multas previstas.

Além disso, a sociedade deixará de ser atendida naquilo que ela precisa, já que o satélite foi projetado para levar a banda larga para o país no interior da Amazonas, do Pará, do Roraima, àqueles que hoje estão excluídos digitalmente.

Por que há resistência da Justiça em dar continuidade ao negócio? A parceria está suspensa desde março.

É porque envolve uma questão técnica. Já na primeira instância foi deliberado de uma forma que não era a prevista pela Telebras [suspendendo o acordo].

A cada decisão inovam. Antes tinha o problema da soberania nacional, depois dizem que a Telebras entregou toda a banda Ka, daqui a pouco vem outra questão. As empresas têm um suporte forte junto à Justiça vendendo sua visão, mas nós confiamos absolutamente na Justiça.

As restrições orçamentárias do MCTIC [pasta das telecomunicações] impactam a operação da Telebras? É algo de que o ministro [Gilberto] Kassab vem se queixando bastante.

Sim, tanto que o investimento de instalação e manutenção de equipamentos no chamamento público era da ordem de R$ 900 milhões. Na situação que o país vive, não vamos disponibilizar esse dinheiro. A Viasat é que deve entrar com esse investimento inicial.

A Telebras não começou com uma restrição injusta, de não poder entregar diretamente a banda larga?

É interessante essa pergunta. A Telebras foi desestatizada em 1998, e o governo saiu integralmente do mercado de telecomunicações. Ao longo do tempo, porém, houve lacunas de atendimento às necessidades básicas da população, especialmente na banda larga, então a Telebras foi recriada para atender o mercado de governo [hospitais, escolas].

Por que o governo não simplesmente contratou a banda larga de satélites privados de outras empresas?

Os satélites privados que atendem o Brasil só cobrem áreas que dão retorno financeiro. A decisão estratégica foi a de lançar satélites que cobrissem essas lacunas no território.

Jarbas Valente
Cargo: Presidente da Telebras
Formação: Engenheiro eletrônico pela Universidade de Brasília (UnB)
Idade: 62 anos

SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas)
Custo: R$ 2,8 bilhões
Operação: Telebras e Ministério da Defesa
Fabricante: Thales (França)
Integradora: Visiona Tecnologia Espacial
Lançamento: mai.2017
Conexão: Ka (banda larga), X (uso militar)
Vida útil: 18 anos


sexta-feira, 11 de maio de 2018

SpaceX adia lançamento de seu novo foguete Falcon 9 Block 5

Jornal do Brasil
10 de maio de 2018

Foto: www.noticiasaominuto.com.br/divulgação

A empresa SpaceX adiou o lançamento de seu novo foguete Falcon 9 Block 5 nesta quinta-feira (10), menos de um minuto antes da hora marcada para a decolagem.O lançamento será realizado na sexta-feira entre 16H14 e 18H21 locais (17H14 e 19H21 em Brasília), em Cabo Canaveral, Flórida.

"O lançador e seu carregamento estão em boas condições", comentou um porta-voz da SpaceX, sem explicar o motivo pelo qual o lançamento foi interrompido 58 segundos antes da decolagem. Estava previsto que o foguete, que promete ser mais potente e fácil de reciclar que os outros modelos, realizasse seu voo inaugural nesta quinta-feira.

Em sua primeira missão, o objetivo principal do foguete é colocar em uma órbita alta um satélite de comunicação de Bangladesh chamado Bangabandhu Satellite-1. Eventualmente, o foguete poderá trasladar astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS), a bordo da cápsula tripulada Dragon, ainda em desenvolvimento.

O primeiro lançamento tripulado está previsto para dezembro deste ano, com o qual também seria a primeira vez que um foguete envia astronautas ao Espaço a partir dos Estados Unidos após o país fechar seu programa espacial, em 2011. O foguete foi construído para voar 10 vezes com um mínimo de reposição de peças, disse a repórteres o CEO da SpaceX, Elon Musk.

"Esperamos que não haja literalmente nenhuma ação (reconstrução) entre os voos, como acontece com os aviões", afirmou. "Desde 2002, foram 16 anos de esforço extremo e muitas interações, e milhares de mudanças pequenas, mas importantes, para chegar até onde acreditamos que fosse possível", acrescentou Musk.

O foguete Block 5 é a mais recente atualização do modelo Falcon 9. A companhia planeja se concentrar em uma nova geração de foguetes de carga pesada, chamados BFR. Depois do lançamento previsto para sexta-feira, o foguete tentará voltar e pousar verticalmente na plataforma "Of Course I Still Love You" situada no oceano Atlântico.

A SpaceX pousou 11 de seus foguetes em terra e 13 em plataformas flutuantes no oceano, em seu esforço para baixar os custos dos voos espaciais e aumentar a reciclagem das partes de foguetes.