quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Projeto brasileiro em energia solar e eólica recebe apoio do banco dos Brics

Agência Abipti
5 de setembro de 2017



Com o objetivo de apoiar projetos voltados para sustentabilidade, o Novo Banco do Desenvolvimento (NBD) do Brics (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e China) anunciou subsídio a um projeto brasileiro na área de energia renovável solar e eólica.

Durante a IX Cúpula do grupo, realizada em Xiamen, na China, o vice-presidente da instituição, Paulo Nogueira Batista Jr., afirmou que o Brasil já possui um empréstimo do NBD com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de US$ 300 milhões, assinado em 30 de agosto, para uma série de subprojetos da iniciativa privada brasileira na área de energia renovável.

De acordo com Batista, com o apoio à iniciativa brasileira, a diretoria da instituição já soma quatro projetos apoiados, com um total equivalente a US$ 3 bilhões aprovados. O NBD opera quase que exclusivamente nos cinco países membros, mobilizando recursos financeiros para apoiar iniciativas de interesse da sociedade.

"E estamos identificando novos projetos que obedeçam a essas características, projetos sustentáveis do ponto de vista social, financeiro e ambiental. Isso é de interesse estratégico do Brasil e da sociedade brasileira", afirmou o vice-presidente do NBD.

Segundo Batista, a estratégia para os próximos cinco anos é se voltar para o apoio de ações em infraestrutura sustentável, como energia renovável, gestão de recursos hídricos, saneamento básico e mobilidade urbana. "Cerca de dois terços dos projetos a serem aprovados nos próximos cinco anos serão nesse campo. O banco está se definindo como banco verde, banco que foca em projetos sustentáveis e se financia também com bônus verdes", destacou.

(Agência ABIPTI, com informações do Portal Planalto)

MCTIC precisa de R$ 2 bilhões para cumprir compromissos deste ano

Agência Abipti
6 de setembro de 2017

Kassab defende "pressão saudável" da comunidade científica contra cortes - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) necessita de R$ 2 bilhões para quitar os restos a pagar até o fim do ano. A informação partiu do ministro da pasta, Gilberto Kassab, nesta terça-feira (5), durante a 13ª Reunião Ordinária do Conselho Diretor do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Ele defendeu uma “pressão saudável” da comunidade pelo descontingenciamento de recursos.

“Temos incentivado todos de uma maneira muito cuidadosa, mas necessária, para que sensibilizem as suas relações pessoais, midiáticas e políticas quanto à demanda identificada para 2017 e para o ano que vem. Precisamos, neste ano, de mais R$ 2 bilhões. Em 2016, nós precisávamos de R$ 1,5 bilhão e conseguimos. Temos que trabalhar, lutar e pressionar, porque não é um recurso que surge do nada. É um recurso muito disputado e, com essa Lei do Teto [Emenda Constitucional nº 95], nós temos que mostrar que atividades e bolsas de pesquisa não podem ter solução de continuidade”, completou.

O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Marcos Cintra, expôs um panorama orçamentário e financeiro do FNDCT em 2017, ao comparar a arrecadação de quase R$ 3,6 bilhões ao orçamento executado de menos de R$ 1,5 bilhão até 31 de julho, sendo R$ 533 milhões de pagamentos feitos. O Conselho Diretor tratou, ainda, do cenário para 2018, a partir do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), e de prestações de contas de 2014 a 2016.

Presidido pelo titular do MCTIC, o Conselho Diretor do FNDCT possui integrantes dos ministérios da Defesa (MD); da Educação (MEC); da Fazenda (MF); da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC); e do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MPDG); do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); da Finep – que exerce a função de secretaria executiva – e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além de três representantes do setor empresarial, três da comunidade científica e tecnológica e um dos trabalhadores da área de ciência e tecnologia.

Também participaram da reunião os presidentes da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich; do CNPq, Mario Neto Borges; e da Embrapa, Maurício Lopes; o diretor de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Mól; o secretário executivo do MCTIC, Elton Zacarias; e a presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, como convidada.

A ciência brasileira está falida. E daí?

Estadão
Herton Escobar
6 de setembro de 2017

Produção de soja no Cerrado. Foto: Celso Junior/Estadão

Você pode não saber, mas a ciência brasileira está presente em muitas coisas da sua vida -- no supermercado, no posto de combustível, nas farmácias. Tudo isso está sendo colocado em risco pelo corte de investimentos públicos, que ameaça paralisar por completo a pesquisa no país.

Você já deve ter ouvido falar que a ciência brasileira está falida. É verdade. Mas e daí? O que isso tem a ver com você, brasileiro, que não é cientista? Por que você deveria se importar com isso? Afinal, o que a ciência brasileira já fez por você? E o que o Brasil tem a perder se os investimentos em ciência continuarem sendo cortados ano após ano?

A resposta é um prato feito. Está na sua frente todos os dias, sempre que você se senta à mesa para uma refeição. Quase tudo que você come no seu dia a dia é produto da ciência brasileira: o arroz com feijão, o bife, o ovo frito, o pãozinho com manteiga na chapa, o suco de laranja, o leite e até o nosso querido cafezinho — nada disso existiria sem a ciência.

Quase todos os produtos que compõem a nossa alimentação básica e dão sustentação à balança comercial brasileira são espécies exóticas, trazidas de outros países e de outros continentes, que precisaram ser adaptadas aos diferentes solos, climas, pragas, topografias e métodos de cultivo do Brasil. E isso só foi possível graças a muita ciência e muito investimento em pesquisa, ao longo de muitas décadas, nas universidades, na Embrapa e várias outras instituições públicas de pesquisa.

Sem ciência, o tão poderoso agronegócio brasileiro não existiria. Fato.

O exemplo mais conhecido (e de maior peso econômico) é o da soja, que é uma planta asiática, de clima temperado, que foi extraordinariamente bem adaptada ao clima quente do Cerrado brasileiro, com enorme produtividade, e hoje é o principal produto do agronegócio nacional. Nossa carne vem do gado zebuíno, que é de origem indiana. A laranja também veio da Ásia, o café é africano, e por aí vai.

Você come ciência brasileira todos os dias, no café da manhã, no almoço e no jantar.

O Brasil não é esse gigante da agricultura só porque tem muita terra e muito sol. É porque tem muita terra, muito sol e muita ciência! Sem esse terceiro ingrediente, os outros dois não nos levariam a nada além da subsistência. E esse esforço de pesquisa tem de ser contínuo; não pode parar nunca — o clima está mudando, novas pragas estão sempre a surgir e novas cultivares, mais produtivas e mais resistentes, precisam ser desenvolvidas continuamente.

Ciência ao volante e na farmácia

Outro exemplo está no tanque de combustível do seu carro (ou ônibus, ou táxi): Não importa se você usa gasolina ou etanol, você dirige ciência brasileira todos os dias.

A gasolina é produzida do petróleo, que hoje é extraído das profundezas do oceano graças a muita ciência e muita tecnologia, desenvolvidas ao longo de muitos anos pela Petrobras, em parceria com universidades e outros centros de pesquisa e empresas nacionais. 

O etanol é produzido da cana-de-açúcar, que também é uma planta exótica, originária da Ásia, com uma genética extremamente complexa, que foi melhorada e adaptada às condições brasileiras com extrema competência (e extrema produtividade) pelos nossos cientistas. E tem muito o que melhorar ainda.

Pode não parecer, mas um grão de soja, um grão de arroz ou um pé de cana são produtos de altíssima tecnologia, tão avançados e complexos quanto um telefone celular. Essas plantas, como as conhecemos hoje, não existem na natureza — elas são produtos tecnológicos, desenvolvidos pelo homem. Frutos da ciência brasileira.

Se você toma remédio para hipertensão, também deve um obrigado à ciência brasileira. O princípio ativo de um dos medicamentos mais usados no mundo para controle de pressão arterial, conhecido como captopril, foi descoberto no veneno da jararaca por um cientista brasileiro, Sérgio Henrique Ferreira, da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, na década de 1960. A indústria brasileira da época não estava capacitada a fazer o desenvolvimento tecnológico necessário para transformar a tal molécula em fármaco, por isso a droga acabou sendo desenvolvida fora fora do país; mas a ciência básica que deu origem a ela foi 100% brasileira.

Certamente há outros remédios escondidos na biodiversidade nacional — afinal, temos a maior biodiversidade do mundo —, mas para descobri-los é necessário muito mais ciência, muito mais pesquisa, muito mais desenvolvimento tecnológico, e muito mais investimento governamental.

Conhecimento básico

Estes são apenas alguns exemplos de como a ciência brasileira impacta a nossa vida. Certamente há muitos outros, talvez menos óbvios, mas também muito importantes. Não só no que diz respeito a inovações tecnológicas, mas também à geração de conhecimento.

Por exemplo: Nós só podemos dizer que o Brasil tem a maior biodiversidade do mundo, e nos orgulhar disso, graças à ciência. Graças a muitos e muitos biólogos que trabalham incansavelmente no campo, nos museus e nos laboratórios Brasil afora, coletando, estudando e descrevendo as espécies da nossa fauna e da nossa flora, ao custo de muito suor e muito investimento em pesquisa.

Conhecimento não é grátis, e não brota espontaneamente do solo. Ele precisa ser produzido, e isso exige pessoas, exige investimento. Muito do conhecimento gerado pela ciência brasileira é de interesse direto ou até exclusivo do Brasil — os outros países não vão produzi-lo por nós.

Outro aspecto importante a ser ressaltado é a relação umbilical entre Ciência e Educação. A ciência não é só uma finalidade, mas também uma ferramenta indispensável à formação de recursos humanos de alta qualidade nas universidades. Os melhores professores e os melhores alunos são aqueles envolvidos com pesquisa científica. As melhores universidades do mundo são as melhores do mundo porque fazem pesquisa, e não o inverso.

Os países mais avançados, com as economias mais fortes e com a melhor qualidade de vida, são aqueles que mais investem em pesquisa. E atenção: eles não investem em pesquisa porque são ricos; eles são ricos porque investem em pesquisa! Pesquisa gera ciência, que gera tecnologia, que gera inovação, que gera produtos, que geram riqueza.

Todo mundo enxerga isso; menos a classe política brasileira.

Todos os países que enfrentaram crises financeiras nas últimas décadas aumentaram seu investimento em pesquisa para sair da crise; menos o Brasil, que insiste em fazer o contrário. O orçamento federal destinado a Ciência e Tecnologia no Brasil está em queda livre desde 2013, e hoje é menos da metade do que era 10 anos atrás (sendo que o número de pesquisadores em atividade no país dobrou nesse mesmo período). 

Vários laboratórios importantes estão prestes a fechar as portas, milhares de estudantes/pesquisadores correm o risco de ficar sem bolsa, e a proposta do governo federal é cortar esse orçamento mais ainda em 2018, comprometendo de forma gravíssima a capacidade do país de fazer ciência, produzir conhecimento e gerar novas tecnologias — alimentos, remédios, combustíveis, modelos climáticos e por aí vai.

O que o Brasil tem a perder com isso? Muito.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Projeto sai em busca de 100 gêmeos da Terra

Folha de SP
Salvador Nogueira
5 de setembro de 2017

Folha de SP/Divulgação

Um audacioso projeto de busca de exoplanetas prestes a ser iniciado nos Estados Unidos tem por meta a descoberta de nada menos que cem mundos gêmeos da Terra em nossa vizinhança galáctica. A iniciativa foi apresentada nesta terça-feira (5) por Debra Fischer, da Universidade Yale, em palestra realizada durante a 41a Reunião Anual da Sociedade Astronômica Brasileira, em São Paulo.

A essa altura, já conhecemos um punhado de planetas rochosos e de porte similar ao da Terra fora do Sistema Solar, mas praticamente todos eles giram ao redor de estrelas de menor porte, como as anãs vermelhas, ou estão a muitas centenas de anos-luz da Terra, como é o caso da maioria dos mundos descobertos pelo satélite Kepler, o grande caçador de planetas da Nasa. Foi o suficiente para provar que planetas similares em massa e diâmetro são abundantes no Universo, mas ainda não temos uma amostragem boa o suficiente de mundos desse tipo ao redor de estrelas próximas e que sejam mais parecidas com o Sol.

O Projeto das Cem Terras, como é chamado, pretende fechar essa lacuna. Para realizá-lo, Fischer e seu colega Colby Jurgenson estão desenvolvendo um novo instrumento, chamado Expres. Trata-se de um acrônimo simpático para Espectrógrafo de Precisão Extrema, um equipamento que já está sendo construído e deve ser instalado no Telescópio Discovery Channel do Observatório Lowell, no Arizona, com seus 4,3 metros de abertura.

O que o instrumento faz é medir com alta precisão a “assinatura de luz” das estrelas, o que os cientistas chamam de espectro. Sabe-se que o espectro sofre um deslocamento para trás ou para a frente, conforme a estrela está “indo” ou “vindo” com relação a nós — algo que ela faz ao ser induzida por planetas ao seu redor a realizar um bamboleio gravitacional, conforme eles giram ao redor dela. Medindo o tamanho e a frequência dos bamboleios da estrela, é possível descobrir a massa aproximada e o período orbital dos planetas que estão ao seu redor.

Foi por essa técnica, chamada pelos cientistas de medição de velocidade radial, que os primeiros exoplanetas foram descobertos, na década de 1990. Fischer, por sinal, foi codescobridora do primeiro sistema multiplanetário fora do Sistema Solar, ao redor da estrela Upsilon Andromedae A, em 1999.

Trata-se de uma metodologia consagrada, portanto. Mas o diabo mora nos detalhes. Como a velocidade radial medida é proporcional à atração gravitacional entre a estrela e seus planetas, a técnica é muito mais facilmente aplicada para descobrir planetas com mais massa e com órbitas mais curtas. Por isso os primeiros planetas descobertos com ela foram os chamados Hot Jupiters, mundos gigantes gasosos com períodos orbitais ultracurtos, de apenas um punhado de dias. Esses sistemas produziam velocidades radiais na escala de 70 m/s. (Foi assim com 51 Pegasi b, o primeiro exoplaneta descoberto ao redor de uma estrela similar ao Sol, em 1995.)

Já melhoramos um bocado nossa tecnologia de espectrógrafos desde então, e o estado da arte é o espectrógrafo HARPS, instalado no Observatório de La Silla, do ESO. Ele consegue medir variações de velocidade radial da ordem de 1 m/s. Mas ainda é insuficiente para o propósito de buscar virtuais gêmeos da Terra. O puxão gravitacional que nosso planeta exerce sobre o Sol, a 150 milhões de km de distância, é da ordem de 10 cm/s. Essa é a meta de precisão do Expres.

Para isso, contudo, os cientistas precisam não só do equipamento, mas de um método batuta de processamento de dados, pois a velocidade radial induzida pela presença de planetas pequenos como o nosso é tão discreta que se mistura aos efeitos da turbulenta superfície da estrela. Em suma, é superdifícil separar o sinal do planeta do ruído.

Fischer e seus colegas estão apostando que, com a super-resolução do espectrógrafo, combinada a modelagens cada vez mais precisas do comportamento das estrelas, será possível fazer essa separação e cumprir a meta, ao longo dos próximos anos, de descobrir cem Terras — planetas como o nosso em órbitas similares à do nosso planeta ao redor de estrelas similares ao nosso Sol — em meio às milhares de estrelas mais próximas do Sistema Solar.

Esses serão, sem dúvida, os principais alvos para futuros projetos de busca de vida.

Cientistas realizam nova Marcha pela Ciência

Estadão
Herton Escobar
2 de setembro de 2017

Cerca de 200 cientistas protestaram na Avenida Paulista contra os cortes que ameaçam parar a pesquisa científica no País. Foto: Felipe Rau
Cerca de 200 cientistas protestaram hoje na Avenida Paulista, na segunda Marcha pela Ciência, contra os cortes orçamentários que ameaçam parar a pesquisa científica no Brasil. O grupo caminhou meio quilômetro, desde o vão do MASP até o prédio onde fica o escritório da Presidência da República em São Paulo, na esquina com a rua Augusta. 

A caminhada ocorreu sobre a faixa de ônibus no sentido Consolação, escoltada pela Polícia Militar, sem incidentes. Os cientistas levavam cartazes e entoavam frases de protesto, convocando as pessoas para virem à rua “pela ciência” e “contra o desmonte”. 

“A gente precisa da sociedade do nosso lado”, disse o estudante Vinícius Soares, da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG). “O corte não vai sacrificar só o presente, nem só este mandato; são as futuras gerações que vão sofrer as piores consequências”, disse a estudante Fabiane Nakagawa, de 23 anos, que levava um cartaz com a frase “Sem ciência não há futuro”.

O orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) vem encolhendo desde 2013, e neste ano foi cortado em 44%, com um limite de empenho de aproximadamente R$ 3,3 bilhões — metade do valor de dez anos atrás. Vários laboratórios e centros de pesquisa inteiros correm risco de fechar as portas até o fim do ano por falta de dinheiro, além do risco de atraso no pagamento de bolsas. E a previsão para 2018 é de um novo corte.

“Está na hora de sairmos do laboratório”, disse a pesquisadora Nathalie Cella, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, que ajudou a organizar esta e a primeira Marcha pela Ciência, realizada em abril. “Não podemos mais nos dar ao luxo de fazer só ciência, porque daqui a pouco não vai ter mais ciência. Precisamos nos mexer.”

Apesar do número de pessoas ter sido pequeno, ela disse ter ficado satisfeita com o resultado. “Acho que conseguimos fazer algum barulho. Se não temos 500 pessoas aqui, que pelos menos 500 pessoas nos ouçam.”

O protesto foi organizado às pressas, com menos de uma semana de antecedência. A data foi escolhida por conta da votação do projeto de lei orçamentária para 2018 no Congresso, que deve ocorrer na semana que vem.

Protestos também ocorreram no Rio de Janeiro, em Brasília e Porto Alegre, organizados pelo movimento Conhecimento sem Cortes, em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a ANPG e outros grupos ligados às áreas científica e acadêmica.

No Rio, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) presidente da SBPC, Ildeu Moreira de Castro, estima que cerca de mil pessoas tenham passado pela manifestação, realizada na frente do Museu do Amanhã. 

“Neste momento em que o orçamento prevê um corte ainda maior para 2018, precisamos ficar em vigília permanente. Se neste ano há risco de não fecharmos setembro, a situação que se anuncia para o ano que vem é assustadora”, diz a presidente da Associação dos Docente da UFRJ e coordenadora da campanha Conhecimento sem Cortes, Tatiana Roque, que ajudou a organizar a marcha do Rio.

Artigo: O Programa Espacial para 2020

O Nortão
Mário Eugênio Saturno
1 de setembro de 2017

SCD-1 - Foto: INPE

O Programa Espacial Brasileiro tem muitos erros estratégicos, a começar com os baixos investimentos. Mas algumas oportunidades se abrem a nós como presentes divinos a um escolhido. Como, por exemplo, o projeto Equars que se receber um pequeno investimento pode dar aos cientistas brasileiros a oportunidade de serem os primeiros a fazer ciência na Anomalia Magnética.
 
Para analisar este contexto, é preciso lembrar que já expus em artigo anterior, o “Argentina 12 x 1Brasil” em que mostro que a Argentina investe 1,2 bilhão de dólares por ano em média na área espacial, enquanto o Brasil investe apenas cem milhões, 12 vezes. Aquele país já fez diversos satélites, e impressiona os dois geoestacionários de comunicação (ARSAT) lançados e mais um com investimento da Huges. Também impressiona fazerem dois satélites radar, o SAOCOM, em banda L, como sonham os cientistas do INPE para observar a Amazônia através das nuvens.
 
Também vimos como o CBERS, um programa de sensoriamento com a China, prejudica o Brasil. E também as imagens geradas de baixa resolução que tem que ser dadas gratuitamente.
 
O Brasil ainda teve outras cooperações, participou do Aqua da NASA, com pouco aproveitamento por falta de preparo dos cientistas brasileiros. E também com a ISS, Estação Espacial Internacional, mas rompeu por desinteresse do governo Lula. O governo Lula também foi responsável pelo acordo malfadado com a Ucrânia, a ACS, que consumiu mais de quinhentos milhões de reais e produziu nada!
 
O acidente na Base Espacial de Alcântara colocou o projeto do foguete brasileiro na geladeira, paralisando essa concepção de projeto. A ACS foi a pá de cal. Agora, sem ACS, o Brasil não mostra que sabe o que fazer com o foguete nacional.
 
Enquanto isso, a Argentina continua com o seu programa bem sucedido e reiniciado apenas dez anos atrás. A promessa é que o foguete “El Tronador” esteja operacional nos próximos anos e apto a colocar em órbita baixa satélites de 250 kg.
 
O INPE, no ano passado, ressuscitou o projeto do satélite científico EQUARS, para monitoramento global da atmosfera na região equatorial. Ele tem vários instrumentos para medir os processos dinâmicos e fotoquímicos e os mecanismos de transporte de energia entre a baixa, média e alta atmosfera e ionosfera. A ênfase do estudo é a Anomalia Magnética do Atlântico Sul, anomalia que ficou famosa por desativar os computadores do Telescópio Hubble, toda vez que ele passava sobre o Brasil.
 
Esse estudo é importante também porque os fenômenos solares são capazes de causar interferências em sistemas como o GPS, além de induzir correntes elétricas em transformadores de linhas de transmissão de energia e afetar a proteção de dutos para transporte de óleo e gás. Ou seja, muito importante para o Brasil.
 
Por questões de economia, espera-se lançar este satélite como carona. Se o Brasil aplicar dez milhões de dólares em um lançamento próprio, podemos colocar o EQUARS em uma órbita atravessando a Anomalia Magnética o que dará aos cientistas brasileiros a oportunidade única de desenvolver Ciência que ainda ninguém fez. Essa é a hora em que os políticos brasileiros devem escolher que tipo de nação é o Brasil!
 
Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

Buraco negro 100 mil vezes maior que o Sol é descoberto na Via Láctea

Folha de SP
4 de setembro de 2017

Folha de SP/Divulgação

Um enorme buraco negro com massa 100 mil vezes maior que o Sol foi encontrado escondido em uma nuvem de gás tóxico que flutua ao redor do "coração" da Via Láctea.

Se a descoberta dos astrônomos - publicada pela Nature Astronomy - for confirmada, o gigante será o segundo maior buraco negro já visto na Via Láctea. Ele seria superado apenas pelo buraco negro conhecido como Sagitário A, ancorado no centro da galáxia.

Astrônomos do Japão encontraram evidências do buraco negro quando colocaram um poderoso telescópio no deserto de Atacama, no Chile. A esperança dos estudiosos era entender o estranho movimento de seus gases.

Segundo Tomoharu Oka, um astrônomo da Universidade de Keio (em Tóquio), a suspeita dos cientistas de que um buraco negro estava no meio da nuvem de gás ficou ainda maior quando outras observações captaram ondas de rádio indicativas de um buraco negro vindos do centro da nuvem. "Esta é a primeira detecção de um possível buraco negro de massa intermediária na galáxia da Via Láctea", disse o pesquisador.

Ao contrário daqueles que compõem outras nuvens interestelares, os gases nesta nuvem - incluindo cianeto de hidrogênio e monóxido de carbono - se movem a velocidades extremamente diferentes.

As observações do telescópio Alma no Chile mostraram que as moléculas na nuvem elíptica, que estão a 200 anos-luz do centro da Via Láctea e possuem 150 trilhões de quilômetros de largura, foram atraídas por imensas forças gravitacionais.

Oka disse ainda que o buraco negro descoberto poderia ser o núcleo de uma antiga galáxia anã que foi canibalizada durante a formação da Via Láctea, bilhões de anos atrás. Brooke Simmons, pesquisador da Universidade da Califórnia (EUA) e que não se envolveu no estudo, descreveu a pesquisa como um "cuidadoso trabalho de detetive".

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Astronomia: Um exoplaneta 100% brasileiro

Folha de SP
Salvador Nogueira (Mensageiro Sideral)
4 de setembro de 2017

Folha Ilustrada/Divulgação

Missão velha, planetas novos

Quem disse que uma missão espacial acaba quando a sonda é desativada? Um grupo de astrônomos brasileiros acaba de soprar nova vida ao satélite franco-europeu CoRoT, missão que também teve participação nacional. Ao reprocessar os dados colhidos pela sonda, a equipe descobriu um novo planeta fora do Sistema Solar e encontrou evidências fortes de pelo menos dois outros.

Made in Brazil

É a primeira vez que uma equipe 100% nacional anuncia a descoberta de um exoplaneta. Em 2015, um grupo internacional que tinha como um dos líderes Jorge Meléndez, da USP, havia feito a descoberta de um gêmeo de Júpiter ao redor de uma estrela gêmea do Sol. Agora, o achado tem como primeiro autor Rodrigo Boufleur, do Observatório Nacional, e é fruto de seu doutorado, orientado por Marcelo Emilio, da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Inchado e Inóspito

O novo planeta orbita uma estrela um pouco menor que o Sol a 1.200 anos-luz de distância, na constelação do Unicórnio. O mundo tem o porte de Saturno, mas apenas metade da massa, e dá uma volta em torno de seu sol em pouco menos de uma semana — um planeta gasoso, pouco denso, e com temperatura na casa dos 1.100°C.

Bela limonada

O que mais chama a atenção, contudo, é a demonstração de quanto caldo ainda tinha para tirar dos dados do CoRoT, o primeiro satélite caçador de planetas. Lançado em 2006 e operado até 2012, ele fez descobertas ao observar pequenas reduções de brilho toda vez que um planeta passava à frente de sua estrela-mãe.

Tem mais

Boufleur e seus colegas desenvolveram um novo modo de processar os dados do satélite. Analisando 65 mil curvas de luz, eles não só confirmaram todos os planetas já anunciados, como acharam mais um. E o detalhe que mostra o real potencial da pesquisa: ao todo, o processamento trouxe outros 44 novos potenciais planetas que ainda aguardam confirmação. Ou seja, pode apostar que mais descobertas vêm por aí, colocando de vez o Brasil no mapa da caçada aos exoplanetas.

Apresentação

Os resultados foram aceitos para publicação no periódico “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society” e serão apresentados por José Dias do Nascimento, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e um dos autores do trabalho, na 41a Reunião Anual da Sociedade Astronômica Brasileira, que começa nesta segunda-feira (4), em São Paulo.

Proposta inicial cortaria orçamento de Ciência e Tecnologia pela metade em 2018

Estadão
Blog do Herton Escobar
2 de setembro de 2017

Obras do acelerador de partículas Sirius, em Campinas. Foto: Herton Escobar/Estadão

Projetos estratégicos, como o acelerador de partículas Sirius, foram totalmente excluídos da proposta orçamentária enviada ao Congresso. Expectativa é que os valores aumentem com a aprovação do aumento do déficit fiscal, na semana que vem.

A demora na votação da meta fiscal para 2018 deixou a ciência brasileira numa zona de risco. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso na quinta-feira prevê uma redução de mais de 50% nos recursos federais destinados à Ciência, Tecnologia e Inovação. Projetos estratégicos do setor, como o novo acelerador de partículas Sirius e o Reator Multipropósito Brasileiro, destinado à pesquisa e fabricação de radiofármacos, foram completamente excluídos do orçamento.

A proposta é baseada numa previsão de rombo nas contas públicas de R$ 129 bilhões, que o governo espera elevar para R$ 159 bilhões. Mas isso ainda depende de aprovação no Congresso.

Pelo projeto de lei atual, o orçamento total do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), encolheria de R$ 15,6 bilhões para R$ 11,3 bilhões em valores absolutos. Já os recursos destinados a investimentos (excluindo os gastos obrigatórios com salários e reserva de contingência) despencariam de R$ 6,2 bilhões para R$ 2,7 bilhões — uma redução de 56%. Isso inclui todos os recursos para financiamento de pesquisas e pagamentos de bolsas do CNPq, por exemplo.

Na prática, esse orçamento de R$ 6,2 bilhões previsto para 2017 foi contingenciado e acabou caindo para R$ 3,2 bilhões, sendo que apenas R$ 2,5 bilhões são para Ciência e Tecnologia (excluindo Comunicações), segundo cálculos de representantes do setor. E muitos laboratórios do País já estão sob risco de fechar as portas com esse valor.

Se aprovada, portanto, a proposta perpetuaria o contingenciamento e congelaria a ciência brasileira no seu estado de penúria atual, com impactos gravíssimos sobre o financiamento de pesquisas e pagamento de bolsas em todo o País. No caso de um novo contingenciamento em 2018, esse corte seria feito em cima dos R$ 2,7 bilhões.

Projetos excluídos

Os projetos Sirius e Reator Multipropósito, ligados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foram completamente excluídos da proposta orçamentária. Ou seja, não há nenhum recurso previsto para eles em 2018. Projetos ligados ao setor de Comunicações, porém, foram poupados, incluindo um incremento de recursos para o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, lançado em março.

Procurado pela reportagem, o Ministério do Planejamento informou que “todas as ações que receberiam investimentos do PAC serão afetadas” pelo corte de R$ 17,7 bilhões no orçamento do programa. “Somente após a reavaliação de receitas pode-se estimar se haverá descontingenciamento e, como consequência, serão reavaliados os recursos destinados aos ministérios, incluindo o MCTIC”, afirmou a pasta, por email.

A reavaliação dos números do orçamento depende do aumento da meta de déficit proposta pelo governo federal. A expectativa era que a meta fosse aprovada na quinta-feira (31 de agosto, data limite para apresentação do PLOA); mas não foi, e por isso o governo enviou ao Congresso um projeto com déficit menor e cortes orçamentários maiores. A maior parte do corte foi feita justamente nos projetos do PAC.

Uma nova tentativa de votação deve ocorrer na terça-feira. Se o aumento do rombo não for aprovado, a margem de manobra para aumentar os valores do orçamento será ínfima.

“É uma situação de total incerteza”, diz o diretor do projeto Sirius e do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Antonio José Roque da Silva. “Nesse momento, nosso orçamento para 2018 é zero.”

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

De cidade industrial a pólo tecnológico

O Vale
Paula Maria Prado
1° de setembro de 2017

Foto: Charles de Moura/PMSJC

Cerca de R$ 2 bilhões entre investimentos do setor privado e dos governos estadual e federal. Esse é o montante recebido pelo Parque Tecnológico nos últimos dez anos. Criado em 2006 com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento industrial, especialmente de São José dos Campos, o espaço contabiliza hoje um retorno de R$ 11 para cada R$ 1 investido pela prefeitura em sua criação e manutenção.

Ligado a setores pré-existentes na cidade, mas de olho na manutenção das empresas locais no mercado competitivo global -, o proposto do parque é fortalecer o setor aeroespacial e de defesa, sempre dependente de novas tecnologias. Aliás, o fortalecimento e a renovação de outras cadeias industriais, tais como automotiva, óleo e gás, tão importantes para a região, e o incremento do desenvolvimento de tecnologias da informação e da comunicação também estão entre as metas.

“As empresas que estão no parque querem se destacar pelo seu arrojo tecnológico, pela sua ousadia em apresentar produtos, processos ou serviços inovadores, sua disposição em abrir novos mercados e sua busca por competitividade tanto no mercado nacional como global”, afirmou José Roberto, diretor de comunicação do parque. “Elas não estão aqui para fazer mais do mesmo, mas, sim, para se diferenciarem pela inovação”.

São 49 empresas residentes apenas nos centros empresariais, mas a ambição é grande. “Queremos gerar um novo polo de desenvolvimento urbano, o que será possível com o estímulo a empreendimentos imobiliários na Zeptec (Zona Especial do Parque Tecnológico), com 25 milhões de metros quadrados”, afi rmou o porta-voz.

“Contribuímos para a economia de São José por meio da gestão daquilo que é chamado de APL TIC Vale (Arranjo Produtivo Local de Tecnologias da Informação e Comunicação) e do Cluster Aeroespacial e Defesa. Ambos arranjos contam atualmente com mais de 150 empresas associadas, a maioria delas sediadas na cidade”, continuou.

Ou seja, somando as empresas e instituições que estão no espaço, o Parque Tecnológico é considerado o maior complexo de inovação e empreendimento do país.

União

“A união faz a força”. Nunca antes o ditado fez tanto sentido no ambiente empresarial. As parcerias entre empresas que têm nascido dentro do parque auxiliam no desenvolvimento de projetos.

O parque possui laboratórios, ambientes de testes e ensaios, e facilita o contato com agentes financiadores de projetos. “Uma de nossas empresas residentes, a Athos, que desenvolve sistemas de gestão para varejo, já abriu uma filial no Equador e está planejando outra na Espanha. Isso, graças ao fato de ela estar no Parque”, comemora José Roberto.

E a aposta para o futuro da cidade é alta. “Queremos que daqui alguns anos este parque perca o sentido de existir. Ou seja, que todas as empresas tenham as mesmas ambições daquelas que estão hoje conosco e tenham condições de buscar a realização dessas ambições”, afirmou o diretor.

Quem está no Parque:

•49 empresas residentes nos Centros Empresariais

•18 empresas na Incubadora

•Oito empresas de grande porte ou empresas-âncora

•82 empresas associadas ao APL Aeroespacial e Defesa

•69 associadas ao APL TIC Vale

•28 microempresas nas Galerias do Empreendedor

•Três empresas localizadas na ZEPTEC

•Cinco instituições de ensino e pesquisa

•Quatro instituições de ciência e tecnologia

•Três entidades da sociedade civil