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terça-feira, 28 de junho de 2016

Programas de pesquisa de 22 países são opção em tempos de crise

Agência CT&I
27 de junho de 2016



Estudar no exterior é um sonho de muitos brasileiros. A oportunidade dá inúmeros benefícios para quem passa por essa experiência. Em tempos de crise nos programas de bolsas de pesquisa no Brasil, uma das opções é procurar bolsas de estudo no exterior.

De acordo com um levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 22 países selecionam estrangeiros para programas de bolsas de graduação, especialização, mestrado ou doutrado. Na maioria dos países as aulas iniciam em agosto ou setembro.

Para o gerente-executivo de desenvolvimento empresarial do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Eduardo Fayet, a vivência em uma instituição fora do Brasil diferencia o profissional. "Temos cada vez mais concorrência internacional e empresas brasileiras multinacionais que precisam de trabalhadores com diferentes visões de mercado. Estudar em outro país traz conhecimentos e competências que proporcionam a habilidade de enxergar as situações a partir de outras perspectivas e a capacidade de resolver questões de maneira mais rápida.”

Se você pretende pleitear uma bolsa no exterior, fique atento aos prazos, às exigências e se planeje. Veja na lista os 22 países que oferecem bolsas integrais ou parciais e escolha o que mais te agrada.

Europa

A Alemanha oferece diversas bolsas de estudo para quem deseja cursar uma pós-graduação no país. O programa Development-Related Postgraduate Courses, conduzido pelo Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD), custeia de forma integral ou parcial cursos nas áreas de engenharia, economia, saúde pública, medicina veterinária, administração, planejamento urbano, dentre outras.

No programa VLIR-UOS Scholarships, estudantes brasileiros podem se candidatar a uma bolsa de mestrado em uma instituição de ensino na Bélgica. As bolsas de estudo são integrais e são divididas em dois tipos: Programa de Treinamento, que cobre alojamento, seguro, viagens internacionais e taxa de matrícula, e o Programa de Mestrado, que oferece subsídio para alojamento, salário-família, seguros, viagens internacionais e taxa de matrícula.

A Dinamarca financia bolsas para os cursos de graduação e de pós. Os estudantes internacionais precisam apresentar exames de proficiência em inglês e terão aulas intensivas para aprender dinamarquês. Acompanhe as ofertas de cursos pelo site http://studyindenmark.dk/.

A Fundação Carolina oferece bolsas para cursos rápidos e pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado) na Espanha. Em 2015, foram oferecidas mais de 540 bolsas. Para esse ano, serão distribuídas 607 bolsas, a chamada tem um total de 196 programas acadêmicos distribuídos em todas as regiões da Espanha. E, pela primeira vez, integra um programa de doutorado com a Universidade de Havana, para além dos mais de 110 acordos que a instituição assinou com a América Latina.

O programa de dois anos da Universidade de Vaasa, Finlândia, recebe 20 estudantes estrangeiros por ano para o mestrado em gestão intercultural e comunicação. O curso ensina como as identidades culturais são formadas e como elas estruturam a sociedade atualmente. Não há mensalidade, mas o estudante tem que pagar uma taxa de 142 euros por ano para a União dos Estudantes. 

Se o seu objetivo é estudar na França, conheça a Universidade Science Po, em Paris, que oferece bolsas de estudo pelo programa Emily-Boutmy Scholarship para estudantes internacionais que pretendam cursar graduação ou mestrado.

A Nuffic Neso Brazil oferece bolsas de estudo para brasileiros interessados em estudar na Holanda, por meio do programa Orange Tulip Scholarship (OTS). É necessário ter excelência acadêmica. As oportunidades são para os programas de graduação e pós-graduação (MBA e mestrado) nas áreas de negócios, comunicação, design, direito, finanças, ciências sociais, ciências da saúde, ciências naturais, T.I, engenharia, turismo e indústria criativa. O valor da bolsa pode chegar a 32,5 mil euros (107,5 mil reais) e o valor da ajuda de custo, até 24 mil euros (79,3 mil reais).

Já a faculdade de artes Uversity, da Irlanda, procura brasileiros de destaque interessados em cursar seu mestrado em Processo Criativo. O valor do mestrado é de 20 mil euros, mas a instituição oferece bolsas parciais e integrais para alunos brasileiros de destaque.

O Ministério das Relações Exteriores da Itália é responsável pela emissão de bolsas de estudo na Itália. Um dos principais requerimentos é ter proficiência no idioma do país. Brasileiros podem concorrer se forem estudantes da língua e da cultura italiana e pesquisadores em centros, laboratórios, bibliotecas, arquivos e museus italianos.

Todas as universidades públicas da Noruega são gratuitas, e o estudante deve apenas pagar uma taxa semestral de 30 a 60 euros. Há várias opções de cursos em inglês no país: só de pós-graduação são mais de 200. Mais informações em www.nokut.no/en/

As bolsas Chevening são para estudar em universidades do Reino Unido, por iniciativa do governo britânico. A última edição do programa (para 2014/2015) teve a oferta de 600 bolsas de estudo. A próxima seleção (para 2016/2017) deve começar em agosto. Não há área específica. Entre as instituições participantes estão as universidades de Cambridge, Oxford, Exeter, Durham, entre outras. O valor da bolsa é de 13 mil libras esterlinas (60,39 mil reais).

Na Suíça o State Secretariat for Education, Research and Innovation (Seri) é o órgão do governo que oferece bolsas de estudos exclusivas para brasileiros: doutorado, pós-doutorado e pesquisa. Mais informações neste link. 

Ásia e Oceania

O governo chinês, através da Embaixada da República Popular da China no Brasil, disponibiliza anualmente bolsas integrais para estudos de graduação, pós-graduação ou especialização. 

O programa Korean Government Scholarship oferece bolsas de estudo a alunos internacionais que tenham menos de 40 anos e que desejam cursar pós-graduação na Coreia do Sul. Antes do início do mestrado ou do doutorado, os alunos têm um ano de aulas de coreano.

O governo de Taiwan oferece bolsas de estudo para estrangeiros em programas de graduação e de pós das universidades locais que participam do programa. Os estrangeiros devem comprovar proficiência em inglês e em chinês (a partir do nível básico).

Há muitas bolsas de estudo por mérito, concessões e subsídios, que podem ajudar a apoiá-lo financeiramente em seus estudos na Austrália. Eles são oferecidos pelo governo australiano, instituições educacionais e várias outras organizações públicas e particulares. Todos os pedidos de bolsas de estudos são feitos diretamente à organização que as oferece. Clique aqui para mais informações.

Na Nova Zelândia o programa New Zealand Scholarships oferece bolsas de estudo para candidatos interessados em cursar mestrado ou doutorado. No caso dos brasileiros, os benefícios são focados nas áreas de desenvolvimento da agricultura e energia renovável.

O governo japonês, por meio do Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia (Mext), oferece seis tipos de bolsas de estudo para brasileiros em universidades japonesas. As inscrições para as bolsas de pesquisa, graduação, escola técnica e cursos de educação profissional ocorrem anualmente entre os meses de abril e junho, e as de Treinamento de Professores e Cultura e Língua Japonesa, no mês de janeiro e fevereiro.

Estudantes internacionais pedem financiamento para seus estudos em pós-graduação e pós-doutorado para o governo da Malásia dentro do programa de bolsas MIS. É dada preferência a candidatos com notas de excelência, fluência em inglês e nas áreas de biotecnologia e biossegurança, meio ambiente e tecnologia da informação e comunicação, entre outras.

América do Norte

O programa de bolsas internacionais Scholarships for non-Canadians disponibiliza uma série de ofertas para candidatos brasileiros interessados em fazer pós-graduação ou desenvolver pesquisas no Canadá. Outra alternativa é o Emerging Leaders in America Program, que oferece a alunos e pesquisadores oportunidades de intercâmbio de curta duração para estudo ou pesquisa – graduação e pós-graduação.

Já a Fullbright Brasil oferece bolsas de estudo para as Community Colleges nos Estados Unidos. São financiados cursos técnicos de nível superior e de pós-graduação, para doutorados-sanduíche e doutorados em ciência, tecnologia, engenharia, além de roteiristas de produção cinematográfica, entre outros. Há ainda programas para professores e pesquisadores.

No México a Fundación Beca oferece oportunidades para candidatos da América Latina realizarem estudos de pós-graduação no exterior. São concedidas bolsas parciais e integrais.

(Agência Gestão CT&I, com informações da EBC)

Opinião: Precisamos de muita ciência

Carta Capital
Soraya Smaili
28 de junho de 2016




Com o enxugamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e a derrocada dos orçamentos para o setor, cresce a ameaça de retrocesso.

Com a entrada do governo interino de Michel Temer, nos deparamos com drásticas mudanças na composição dos ministérios e nas políticas.Entre as mudanças, o governo Temer apontou para a extinção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que seria incorporado ao das Comunicações.

Com o argumento de que é preciso enxugar o número de ministérios,verificamos uma alteração radical nessas instituições, com a extinção de algumas estruturas e fusões realizadas sem discussão elaborada.

Inúmeras manifestações da comunidade científica foram feitas, entidades e cientistas começaram a tratar do tema. Instituições como a SBPC, ABC, Andifes e diversas sociedades científicas e conselhos universitários, se posicionaram de maneira contrária à fusão, salientando o importante papel da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) para o futuro da nação.

Temos buscado falar para a sociedade sobre a longa trajetória de três décadas, desde os anos 1960, que a comunidade científica percorreu para conquistar um ministério. Entre 2005 e 2011, houve finalmente um volume maior de investimentos no setor e chegamos aos maiores patamares de financiamento para a área. Neste período a ciência cresceu e decolou trazendo desenvolvimento econômico e social.

Com a fusão dos ministérios, o enxugamento do MCTI e a derrocada dos orçamentos para a CT&I, cresce a ameaça de perdermos o que conquistamos ou de retrocedermos como economia.

Os países mais desenvolvidos investem de 3% a 4% de seu PIB em CT&I, enquanto o Brasil investe menos de 1,2%, segundo as avaliações mais otimistas.

De acordo com dados da SBPC, mesmo os países que tiveram crescimento econômico negativo nos últimos anos não deixaram de investir ao menos 2% no setor.

Isso porque existe um entendimento global, mesmo em economias liberais, que o desenvolvimento da ciência de um país é valor estratégico para uma nação.

Apesar disso, a ciência brasileira produziu e produz descobertas e soluções. Foi ela que desenvolveu grande aeronaves que são utilizadas em todo o mundo, promoveu avanços na área de segurança alimentar, tanto no cultivo quanto em técnicas, tem matemáticos e físicos que competem em nível internacional, trabalhando em sistemas avançados.

Na área da saúde formou profissionais e pesquisadores que atuam na medicina e saúde de maneira geral, tendo sido uma das descobertas mais recentes a descrição da infecção causada pelo zika vírus e sua correlação com a microcefalia e perdas neuronais.

Isso tudo só foi possível porque temos uma capacidade instalada, porque houve investimento e temos profissionais formados para trabalhar nesse setor.

No Brasil a ciência se desenvolveu fortemente nas instituições públicas de ensino superior e de pesquisa. As universidades federais e estaduais possuem os maiores parques de equipamentos, além de um número grande de doutores formados para a pesquisa.

Sem investimentos e sem uma política clara, corremos o risco de termos nossos laboratórios defasados e sucateados, como, aliás, já está acontecendo. Em outros casos teremos laboratórios de grande porte sem recursos para a manutenção. Não podemos perder todo o investimento feito, e mais, precisamos de mais.

Somente a ciência brasileira terá olhar e atenção para a solução dos problemas que são eminentemente brasileiros. Queremos cuidar dos nossos problemas de saúde e vida, e solucioná-los, e podemos também ser independentes de tecnologias estrangeiras, gerando os nossos próprios produtos e tornando o país autônomo e economicamente mais forte. Queremos produzir a locomotiva e não somente importá-la.

A ciência, assim como o conhecimento, não tem fronteiras, mas uma nação deve pensar os seus problemas e encontrar suas soluções. Ela deve ser o mais autônoma que puder para trocar tecnologia e não apenas comprá-la.

A ciência tem e terá esse papel. Precisamos, para isso, ter um ministério forte, com uma política clara e desenvolvida com a comunidade científica de nosso país, além de estabilidade nos investimentos que retornarão à própria sociedade.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Nova evidência sugere a existência de uma quinta força da natureza

Nature News, via GizModo Brasil (UOL)
George Dvorsky
27 de junho de 2016




Todos sabemos quais são as quatro forças fundamentais da natureza: gravidade, electromagnetismo, e as forças fortes e fracas entre átomos. Mas poderia existir uma quinta força esperando ser descoberta? Um novo experimento realizado na Hungria sugere que esse pode ser o caso.

De acordo com o Nature News, uma equipe de físicos liderados por Attila Krasznahorkay a Acadêmica de Ciências da Hungria publicou um artigo no fim do ano passado na Physical Review Letters afirmando que um decaimento radioativo anormal é indicativo de uma força fundamental desconhecida.

Apesar da alegação forte, o artigo deles ficou na obscuridade até o físico Jonathan Feng e seus colegas da Universidade da Califórnia decidirem observar com mais atenção – e eles não encontraram nada de errado no experimento e conclusão dos húngaros.

O mundo da física está em polvorosa com a possibilidade de uma força fundamental desconhecida. Especulações sobre essa tal quinta força existem há anos, parcialmente por causa da incapacidade do modelo padrão de físicas de partículas de explicar a matéria escura – uma forma hipotética de matéria que consiste em uma enorme porção da massa e da energia no universo observável.

Teorias sobre gravidade modificada já foram levantadas, assim como ideias sobre partículas exóticas transportadoras de força chamadas “fótons escuros.” E eram esses fótons escuros o que os cientistas procuravam quando chegaram a algo completamente diferente.

Durante o experimento, os pesquisadores dispararam fótons em uma pequena tira de lítio. Conforme ele absorvia os prótons, ele se transformou em uma versão instável do berílio, e continuou decaindo, cuspindo pares de elétrons e pósitrons. Quando os prótons esmagaram o lítio em um ângulo preciso de 140 graus, mais elétrons e pósitrons eram cuspidos do que o esperado.

Krasznahorkay e seus colegas teorizam que essa coisa extra está vindo de uma nova partícula 34 vezes mais pesada do que o elétron – um possível indício de que há uma força desconhecida esperando ser descoberta.

Como o artigo do Nature News destaca, há uma mistura interessante de ceticismo e empolgação com os resultados do experimento. Físicos agora estão pensando em formas diferentes de analisar essa descoberta intrigante. Pesquisadores do Thomas Jefferson National Accelerator Facility, nos EUA, e outros grupos de cientistas europeus e dos EUA estão trabalhando no problema, e esperam confirmar ou invalidar o experimento húngaro em até um ano.