terça-feira, 19 de abril de 2016

Tudo a postos para lançamento de foguete-portador no cosmódromo Vostochny

Sputnik
19 de abril de 2016

A partir desta quarta-feira (20), o cosmódromo Vostochny está pronto a lançar o foguete, declarou Dmitry Rogozin, vice-presidente do governo russo.

“A partir de amanhã estaremos prontos para o lançamento do nosso foguete, embora esteja planejado para o dia 27 às 05h00 pelo horário de Moscou [23h00, hora de Brasília]”, disse Rogozin.
Segundo os dados preliminares, o foguete-portador a lançar será um Soyuz 2.1ª.

A construção do centro espacial Vostochny começou em 2012, com o objetivo de garantir à Rússia o  acesso independente ao espaço. Atualmente, o país utiliza principalmente a base de lançamentos de Baikonur, no vizinho Cazaquistão.




segunda-feira, 18 de abril de 2016

Brasil e Rússia reforçam laços de cooperação na área espacial

AEB/Sputnik
18 de março de 2016



“A cooperação espacial entre Rússia e Brasil está num nível cada vez mais elevado, com grandes ganhos para os dois países.” A afirmação é de José Raimundo Coelho, diretor-presidente da AEB – Agência Espacial Brasileira, na data em que se comemora o voo pioneiro de Yuri Gagarin ao espaço.

José Raimundo Coelho se manifestou por ocasião do Dia do Cosmonauta e da Cosmonáutica na Rússia, em homenagem a Gagarin, o primeiro ser humano a viajar ao espaço, em 12 de abril de 1961. Na entrevista que concedeu à Sputnik Brasil, o físico destacou que a Rússia vem implantando no Brasil o seu sistema de navegação por satélite, Glonass, mediante acordos da Roscosmos com universidades. Além disso, a Agência Espacial Russa vem franqueando acesso aos cientistas brasileiros e lhes permitindo aprofundar seus conhecimentos.

O diretor-presidente da AEB também enfatizou na entrevista que, “com apoio da Agência Espacial Brasileira, o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e a Roscosmos assinaram na quinta-feira, 7 de abril, em Itajubá, Minas Gerais, um acordo para instalação de um telescópio de monitoramento de lixo espacial”.

Nas palavras de José Raimundo Coelho, “o benefício deste acordo para o Brasil é essencialmente a utilização dos dados, manutenção e controle da estação de monitoramento”.

O Laboratório Nacional de Astrofísica terá o primeiro telescópio no país com participação no projeto Sistema Eletro-Óptico Panorâmico para Detecção de Detritos Espaciais (PanEOS), que será o segundo do projeto em operação. O primeiro fica nas montanhas de Altai, na Rússia.

Sobre o feito pioneiro da ciência soviética de 12 de abril de 1961, o  diretor-presidente da AEB afirma que “o voo de Yuri Gagarin tem várias implicações de ordem técnica e de ordem de visualização da importância do programa espacial no mundo todo. Do ponto de vista técnico, é uma grande conquista, porque a Rússia foi capaz de enviar um astronauta ao espaço, o que foi um grande feito. É claro que a presença de uma pessoa, pela primeira vez, no espaço tem uma ordem de grandeza enorme para o programa espacial do mundo todo, e isso levou outros países a querer fazer a mesma coisa. Com isso, aconteceu aquela grande corrida entre a na época União Soviética e os Estados Unidos, que levou a conquistas tecnológicas e científicas de grande porte. O pioneirismo da Rússia e da União Soviética é exemplar nessa área.”

O Dr. José Raimundo Coelho faz um histórico do início da conquista espacial:

“O acesso ao espaço, do ponto de vista científico, foi iniciado por um russo chamado Konstantin Tsiolkovsky, um cientista importante que disse para o mundo todo, com sua ciência, que era possível e como se deveria fazer. Temos o maior apreço por essa iniciativa. Digamos que a Agência Espacial Brasileira está sempre se congratulando com essa data.”

A respeito da cooperação entre Brasil e Rússia na pesquisa espacial, o presidente da AEB relaciona os momentos marcantes desse relacionamento:

“Há vários momentos que marcaram essa cooperação. Nós tivemos um acidente no nosso programa espacial em 2003, e depois disso fizemos uma parceria com a Rússia para nos ajudar a recuperar nosso modelo de Centro Espacial de Lançamento e também dos nossos lançadores que serão utilizados a partir do Campo de Lançamento de Alcântara. Houve ainda a possibilidade de alguns de nossos engenheiros, principalmente da Força Aérea, ficarem na Rússia por algum tempo e depois trazerem vários conhecimentos adquiridos ao longo desse tempo, e também alguns russos que ficaram aqui no Brasil. Esse foi o início da nossa relação na área espacial.”

José Raimundo Coelho revelou ainda que, mais recentemente, os dois países têm reforçado a sua relação na área espacial por meio de um convênio, de um acordo que a AEB assinou com a agência Roscosmos, tendo como princípio o acordo que deu origem também a uma iniciativa excepcional: a instalação de algumas estações de calibração em universidades e institutos no Brasil que servem para os russos calibrarem a precisão do sistema Glonass.

Ele explica que o Glonass é um sistema de navegação tipo GPS, e que é também utilizado para a calibração do GPS – os dois em atividade conjunta entre a Rússia, os Estados Unidos e o Brasil. Segundo o físico, o fundamento básico de uma cooperação como essa é o de os dois países estarem focados em iniciativas que são de interesses mútuos:

“Qual o interesse da Rússia em colocar essas estações aqui no Brasil? Ela precisa colocar essas estações em vários lugares do mundo para poder manter o seu sistema o mais preciso possível, e nós aceitamos essa cooperação, que é muito importante para a Rússia mas é importante para nós também porque nós colocamos isso em ambientes universitários e de pesquisas, e esses ambientes são próprios para a recepção de informações e de pesquisas nessa área. É bom para a Rússia e é bom para o Brasil” – explicou.

Ainda mais recentemente aconteceu outra iniciativa no relacionamento Brasil-Rússia na área espacial. “É a observação de detritos espaciais”, conta José Raimundo Coelho. “É fundamental que nós mantenhamos sob controle essa quantidade enorme de milhões de detritos espaciais para poder, de alguma maneira, ter alguma noção do que está no espaço e onde nós possamos colocar nossos satélites e nossas estações espaciais para que não sejam atingidos pelos detritos. Esses detritos viajam em órbita da Terra numa velocidade de quase 30 mil km/h, e qualquer pequeno detrito do tamanho de uma bolinha de tênis, se colidir com uma nave espacial ou com um satélite, pode causar um dano irrecuperável. É necessário se montar um sistema no planeta que observe a movimentação desses detritos e oriente os nossos satélites e nossas estações para que não colidam com esses detritos. Essa é a ideia. Nós instalamos isso em um local importante do ponto de vista técnico e tecnológico para a Rússia, mas também importante para o conhecimento e o desenvolvimento de pesquisas em torno desses dados e de suas aplicações. Essa é a grande vantagem, trabalhar com iniciativas que sejam de interesse mútuo.”


Agência Espacial Brasileira participa de conferência Itália e América Latina

AEB
Thamy Ribeiro
15 de abril de 2016

Foto: Divulgação/ASI

A Agência Espacial Brasileira (AEB) participou da conferência Itália & América Latina, nas cidades italianas de Nápoles, L’Áquila e Roma sobre cooperação espacial. Durante o encontro foram apresentadas a atual situação das cooperações e as possibilidades de possíveis acordos entre a Itália e países da América Latina.  A conferência aconteceu entre os dias 10 e 12 de fevereiro.

O diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento (Dsad), Carlos Gurgel, e o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional (ACI), André Rypl, representaram a AEB, no evento organizado pela Agência Espacial Italiana (ASI) e Ministério dos Negócios Estrangeiros e de Cooperação Internacional da Itália. O encontro contou também com a participação de doze países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Equador, Guatemala, México, Nicarágua, Peru, Uruguai e Venezuela.

Dividida em uma série de painéis temáticos, dois deles sob a responsabilidade da ASI, o primeiro destinava-se a atividades de observação da Terra, com aplicações do sistema COSMO SkyMed¹. O segundo apresentava as perspectivas sobre pequenos satélites e tecnologias  associadas a essas missões. As ações brasileiras com nanossatélites, tema apresentado pelo diretor da Dsad, Carlos Gurgel, foram bem recebidas e elogiadas pelos representantes dos países, que consideraram o programa Serpens um modelo a ser reproduzido.

Segundo André Rypl, as possibilidades de cooperação internacional foram direcionadas ao desdobramentos de programas de microssatélites e também para acordos na esfera comercial. Tecnologias e produtos desenvolvidos e fabricados por várias empresas no setor como a qualiAerosekur, TASI, Telespazio, OHB CGS, Sitael, Techno System e Corista foram apresentados no evento.

Compareceram também à conferência o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), da Defesa (MD); e a Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), além do Centro de Operações Espaciais Principal (COPE-P) ambos da Força Aérea Brasileira (FAB).

Além dos painéis apresentados, os representantes participaram de uma série de visitas às principais instalações do Consórcio Italiano de Pesquisas Aeroespaciais (CIRA), como o túnel de vento de plasma, o Laboratório de Qualificação do Espaço e laboratórios para o estudo e aplicação de materiais avançados. Em visita a Thales Alenia Space os participantes brasileiros tiveram a oportunidade de observar a montagem dos componentes do SGDC.

¹ (sendo, COSMO de: Constellation of small Satellites for the Mediterranean basin Observation) é um sistema composto por satélites de observação da Terra, financiado pelo Ministério da Educação, Universidades e Pesquisa italiano e Ministério da Defesa italiano e conduzido pela Agência Espacial Italiana (ASI), contemplando usos militares e civis. Fonte: Wikipédia. Mais informações aqui: http://www.asi.it/it/attivita/osservazione-della-terra/cosmo-skymed.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Não ao golpe.Viva a democracia

Jornal O Vale
Ivanil Elisiário Barbosa*
15 de abril de 2016



Não ao golpe! Viva a democracia! A discussão em torno do impedimento da presidente Dilma Roussef (PT) tornou-se passional, como torcidas em torno de campeonato de futebol. Não vigoram racionalidade ou tolerância. Ao contrário, citam-se as vantagens do próprio “time” e xinga-se a torcida adversária, transformando a oportunidade de engajamento político construtivo em mero acontecimento episódico, que só será lembrado e estudado pelos historiadores, sociólogos e cientistas políticos. 

Os últimos acontecimentos demonstram a fragilidade da nossa jovem democracia, abalada pela incapacidade de provimento de um ambiente jurí- dico imparcial e por uma mídia tendenciosa e alarmista, que entrega ao povo brasileiro informações manipuladas, provocativas e mal intencionadas. Apartidariamente, defendo a instituição presidência da República. 

Considero incrível que esteja constituí- da uma comissão parlamentar de impeachment baseada em casualidades, pois a alegação de crime de responsabilidade fiscal diz respeito às contas de 2015, que sequer foram julgadas pelo TCU ou pelo Congresso Nacional. 

Além disso, a chamada “pedalada fiscal” -- atraso de repasses a bancos e autarquias, para garantir o fechamento das contas do governo -- nunca constituiu motivo de impeachment. Se tal fosse a tendência, teríamos 17 governadores na mesma situação, neste exato momento. Portanto, estabelece-se a fogueira golpista, alimentada por uma oposição revanchista, inconformada com o resultado das urnas, que quer agora depor uma presidente legítima e democraticamente eleita. 

Esta mesma oposição trava o país e o mergulha numa profunda crise econômica, que já não assola mais o mundo, mas é pontual no Brasil. Já acontecem articulações para o “novo” governo, assumindo-se como certo o impedimento, através de um processo em que 37 dos 65 deputados da Comissão Especial instalada estão atolados em um mar de denúncias de corrupção. O próprio presidente da Câmara, encontrado em idêntica situação, utiliza-se de todos os subterfúgios para adiar próprio destino. 

A presidente tem que ser julgada objetiva e imparcialmente, sem que se mescle de forma indiscriminada o foco do processo a que a querem submeter com acusações a outras pessoas ou a irregularidades supostamente cometidas por qualquer partido político. Considerações de mérito quanto à qualidade do atual governo contam com o fórum popular e democrático das urnas em 2018. Este país vinha avançando irresolutamente na direção de justas conquistas sociais, de promoção e defesa do cidadão, de combate às desigualdades e discriminações, pela inclusão de minorias e de tolerâncias às diferenças. 

E assim deve continuar avançando, vez que todas estas conquistas derivam da preservação do alicerce maior -- o regime democrático. Todos esses avanços democráticos permitiram promover a independência da Polícia Federal para o atual estabelecimento das investigações. O que se deseja é que se preservem também as condições de averiguação e que a isenção possa gerar inquéritos e processosirretocáveis e insuspeitos. A grande imprensa apregoa que o STF reconhece a constitucionalidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma, distorcendo a realidade do que foi declarado. 

Não basta a previsão constitucional, condenação neste processo kafkiano que se apresenta é golpe por se basear em acusação ilegítima. Não ao golpe! Viva a democracia e o Estado de Direito!

* Ivanil Elisiário Barbosa é engenheiro e presidente do SindCT

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Satélites italianos monitorarão desmatamento da Amazônia

Agência ANSA/Jornal do Brasil
12 de abril de 2016



Os quatro satélites do projeto italiano Cosmo-SkyMed monitorarão uma área de um milhão de quilômetros quadrados da floresta amazônica e, em particular, o desmatamento no Brasil.

O contrato, válido para 2016 e renovável por mais um ano, permitirá fornecer um quadro completo da situação, considerando a dificuldade do monitoramento contínuo de uma área onde o céu é constantemente coberto por nuvens. Graças aos radares que estão nos satélites, será possível captar as imagens e os dados em qualquer condição meteorológica, trabalhando dia e noite.

As informações recolhidas pela Cosmo-SkyMed já são utilizadas com sucesso no Brasil, onde a Telespazio atua desde 1997, através de sua controlada Telespazio Brasil. A empresa atua no monitoramento ambiental e de segurança - como a perda de petróleo de plataformas no mar, controle de deslizamentos - além do apoio à agricultura e para aplicações em questão de defesa, por exemplo.

A empresa que opera os equipamentos é a e-Geos, formada pela Finmeccanica-Telespazio e a Agência Espacial Italiana (ASI), em parceria com a brasileira Geoambiente, que venceram a disputa do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O presidente da e-Geos, Roberto Ibba, e os representantes da Finmeccanica afirmaram estar satisfeitos com o novo contrato e afirmaram que ele constitui mais uma confirmação do valor da tecnologia no âmbito espacial. Além de fornecer os equipamentos dos satélites utilizados, a Finmeccanica criou os próprios satélites com a participação da Thales Alenia Space enquanto a Telespazio desenvolveu o segmento por terra e é responsável pela aquisição, processamento e distribuição dos dados colhidos.

Ciência perde R$ 1 bi e bolsas são congeladas

Estadão
Herton Escobar
13 de abril de 2016

Risco. Bióloga Thais Biude disse que, sem bolsa de doutorado, terá de abandonar a Unifesp, onde estuda câncer de tireoide 

Verba é a menor em 12 anos; MCTI sofreu redução de 25% nos recursos disponíveis, enquanto MECperdeu R$ 4,3 bilhões 
Novos cortes orçamentários no Ministério da Educação (MEC) e no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) ameaçam agravar a situação de penúria da ciência nacional, com redução de recursos para bolsas e para financiamento de pesquisas nas universidades.

O MCTI sofreu contingenciamento de R$ 1 bilhão, uma redução orçamentária de quase 25%, que fez seu limite de empenho despencar para R$ 3,3 bilhões – o menor dos últimos 12 anos, pelo menos, em valores corrigidos pela inflação. Já o MEC perdeu R$ 4,3 bilhões, segundo os novos ajustes fiscais divulgados em 30 de março, no Diário Oficial da União.

As consequências foram sentidas imediatamente. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência de fomento do MCTI, suspendeu a concessão de bolsas no exterior por tempo indeterminado. “É uma equação muito simples. O orçamento que a gente tem dá para pagar todos os bolsistas no País e no exterior. O que não dá é para conceder novas bolsas”, disse ao Estado o presidente do CNPq, Hernan Chaimovich.

Trata-se de uma situação temporária, segundo ele, cuja duração vai depender da recuperação econômica do País. “O que é certo é que o CNPq tem responsabilidade com a ciência nacional e vamos, dentro do orçamento possível, manter todos os compromissos e pagar todos os bolsistas”, afirmou.

Queda. Segundo a agência, não há como prever quantas bolsas deixarão de ser concedidas, pois o processo é sob demanda, e isso varia ano a ano. Hoje, 6,9 mil alunos recebem bolsa no exterior do CNPq, ante 10,6 mil em 2014 – uma redução de 35%. 

O número de novas bolsas concedidas caiu de forma mais drástica: foram 902 em 2015, ante 9,7 mil em 2014. No primeiro trimestre deste ano, foram só 72. Grande parte dessa redução está relacionada ao fim da primeira fase do programa Ciência sem Fronteiras, cuja continuidade também está ameaçada.

O único edital de grande porte lançado pelo CNPq neste ano, no valor de R$ 200 milhões, foi a tradicional Chamada Universal – que não foi aberta em 2015, por limitações orçamentárias. Segundo Chaimovich, o CNPq não vai abrir nenhum edital sem a certeza de que há recursos disponíveis para executá-lo. A prioridade, por enquanto, segundo ele, ainda é terminar de pagar a Chamada Universal de 2014 e quitar outras dívidas do órgão. “Uma vez que fecharmos o passivo, o valor dos editais vai aumentar.”

O MCTI negocia desde o ano passado – quando seu orçamento também foi contingenciado em 25% – um empréstimo de US$ 1,4 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para reabastecer seus cofres. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira pelo ministério, o empréstimo foi autorizado pelo governo federal e será encaminhado à Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) para aprovação definitiva.


Bolsas congeladas. Assim que o corte no orçamento do MEC foi divulgado, coordenadores dos programas de pós-graduação em todo o País começaram a receber comunicados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informando sobre a “suspensão do cadastramento de novos bolsistas em cotas verificadas como ociosas”.


A medida congelou 7.408 bolsas, das mais de 88 mil que a Capes paga no País. Segundo o aviso, a suspensão ficará em vigor por até dois meses, “período no qual será conduzida uma análise detalhada acerca do uso das bolsas”, seguida de uma “recomposição gradual” para aqueles programas que apresentarem “uso satisfatório”. Na noite desta terça-feira, procurada pela reportagem, a Capes informou que 2.295 bolsas já foram reinseridas no sistema. 

Membros da comunidade científica foram surpreendidos pela medida. Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 228 bolsas que seriam concedidas nos próximos dois meses para alunos já selecionados foram recolhidas pela Capes – redução de quase 20% no total de bolsas disponíveis para a instituição.

“Enfatizamos que essas bolsas não estavam ociosas, mas aguardando os alunos para ser implementadas a partir deste mês. Não temos nenhuma bolsa sobrando na universidade”, diz o vice-coordenador da Câmara de Pós-graduação da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Ruy Campos.

Satélite da missão ExoMars 2016 envia primeiras imagens

G1
14 de abril 2016

         Satélite da missão ExoMars 2016 enviou primeira imagem (Foto: ESA/Roscosmos/CaSSIS )
O satélite a caminho de Marte da missão ExoMars enviou suas primeiras imagens do céu e tem "uma saúde excelente", anunciou nesta quinta-feira (14) a Agência Espacial Europeia (ESA).
Lançado em 14 de março pelo foguete russo Protón, este satélite chamado TGO ficará orbitando ao redor de Marte para estudar os gases em sua atmosfera com a esperança de tentar encontrar sinais de vida.
Junto ao TGO também viaja a Marte um módulo chamado Schiaparelli, que deve pousar na superfície do planeta em 19 de outubro. O objetivo é fazer testes que permitam enviar outra nave no futuro.
Desde seu lançamento, os responsáveis por esta missão espacial conjunta entre Europa e Rússia estiveram realizando testes para verificar que tudo funciona bem.
"Todos os sistemas estão ativos e verificados - energia, comunicação, orientação, navegação - e as equipes encarregadas de controlar o voo estão acostumadas a manobrar esta nave sofisticada", indicou Peter Schmitz, responsável pelas operações, em um comunicado da ESA.
A câmera de alta definição do satélite TGO, fabricado na Suíça, enviou há alguns dias suas primeiras imagens do espaço. "São muito tranquilizadoras", disse Nicolas Thomas, o cientista que se ocupa deste instrumento.

Nova legislação irá favorecer serviços especializados oferecidos pelo LIT e LIM

Informativo do INPE - N° 5
6 de abril de 2016


Área de Calibração de Grandezas Elétricas e Frequência do Laboratório de Metrologia do LIT/INPE
Um dos importantes avanços do Marco Legal de CT&I (veja notícia anterior) foi o aprimoramento da legislação que prevê a possibilidade de as instituições de ciência e tecnologia (ICTs) prestarem serviços técnicos especializados a instituições públicas e privadas em atividades voltadas à inovação e pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo. A legislação anterior dava margem a dúvidas quanto à captação, gestão e aplicação das receitas próprias da ICT, geradas pela prestação dos serviços. Agora, o parágrafo único do artigo 18 estabelece que o gerenciamento desses recursos poderá ser delegado a fundação de apoio, por meio de contrato ou convênio. Os recursos poderão ser aplicados diretamente na ICT prestadora do serviço, para manutenção das instalações, de equipamentos, recursos humanos e outros insumos. 

Especialistas do INPE acreditam que o novo dispositivo legal irá favorecer significativamente as atividades do Laboratório de Integração e Testes de satélites (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Além de atender a demandas internas, o Laboratório cumpre hoje a importante função de disponibilizar à sociedade produtos e serviços inovadores resultantes do conhecimento gerado no âmbito de suas áreas de atividade. 

Concebido a partir de 1979, o LIT iniciou suas operações em 1987 e hoje está equipado com os mais sofisticados meios para a qualificação, testes e integração de sistemas para aplicações espaciais. Embora tenha sido especialmente projetado e construído para atender às necessidades do Programa Espacial Brasileiro, o Laboratório é também um sofisticado instrumento para a qualificação de produtos industriais que exijam alto grau de confiabilidade. 

O LIT disponibiliza seus meios de testes para a realização de ensaios que contribuem para o desenvolvimento de novos produtos e/ou implementação de inovações. A estrutura tem grande relevância para as empresas nacionais e estrangeiras. “É uma facilidade estratégica, que permite às empresas adequarem seus projetos e certificarem seus produtos, ganhando competitividade no mercado”, explica Maria de Fátima Vollet, responsável pela área de Planejamento, Análise e Custos do LIT. “Em se tratando, especificamente, de ensaios do setor espacial, são poucos os laboratórios no mundo que centralizam todas as atividades em uma mesma planta”. 

Os processos de certificação de equipamentos em áreas como telecomunicações, aeroespacial, eletroeletrônica, médico-hospitalar, por exemplo, exigem ensaios de qualificação que demonstrem o atendimento aos diversos requisitos técnicos. O LIT dispõe de uma infraestrutura que o capacita a testar uma variedade de produtos que vão desde aqueles de pequeno porte, como um componente automotivo, uma antena, um dispositivo de comunicação, sensor de uso médico, mas também veículos de grande porte, máquinas industriais, aparelhos e veículos militares e aeronáuticos. 

Ensaios dessa natureza demandam meios de testes como câmaras blindadas e anecóicas que possibilitem um controle do ambiente necessário a essa finalidade. As dimensões dessas câmaras vão determinar o porte dos equipamentos que podem ser qualificados. “O LIT possui a maior câmara do país, permitindo que tais equipamentos possam ter o seu desenvolvimento e qualificação realizados aqui mesmo no Brasil, sem os transtornos logísticos, prazos e custos demandados na eventualidade de que essas atividades tivessem que ser conduzidas no exterior, tendo em vista a falta desta infraestrutura”, explica Marco Antônio Strobino, gerente do Laboratório de Compatibilidade Eletromagnética, Antenas e Testes Funcionais e Telecomunicações do LIT. 

Cláudio Aguiar, supervisor da Ford, considera “muito importante e estratégico” poder contar com uma estrutura como a do LIT, para a realização de ensaios de interferência e compatibilidade eletromagnética. Para Isabel Geier, da Mectron, a importância do LIT é altamente reconhecida tanto entre as empresas da área aeroespacial, como de outros setores, como o automotivo, não só para a realização de testes ambientais, como também por “fornecer capacitação ligada à área de montagem aplicada a equipamentos de alta confiabilidade”. 

Dentre os serviços disponibilizados pelo LIT às empresas, destacam-se os testes funcionais em equipamentos de telecomunicação bem como um sistema de determinação da Taxa de Absorção Específica (SAR, da sigla em inglês). O objetivo deste sistema é verificar o atendimento aos limites do nível de irradiação e à exposição aos sinais emitidos por dispositivos de comunicação móvel como transceptores e aqueles de telefonia celular, que são utilizados junto ao corpo do usuário, conforme determinados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e de acordo com as resoluções da Anatel. 

“O mercado de celulares tem um apelo comercial muito sazonal e, por isso, seu ciclo de produção precisa ser muito ágil para que o produto esteja pronto para a distribuição poucos meses após a sua concepção e desenvolvimento” exemplifica Strobino. “Nesse setor, a disponibilidade de uma estrutura como a do LIT é fundamental para a competitividade da empresa”. “O LIT conta com excelentes profissionais capacitados e possui toda a infraestrutura necessária para a realização dos ensaios dos testes de homologação da Anatel dos produtos da Motorola”, confirma Rogério Higa, da Motorola Solutions. 

Hall de montagem, integração e testes funcionais do LIT/INPE
Metrologia

Para atender à sua demanda interna, o LIT mantém os seus próprios Laboratórios de Metrologia nas áreas de Eletricidade, Tempo e Frequência, Telecomunicações, Acústica e Vibrações, Temperatura e Umidade, Pressão (Vácuo), Torque e Força, Massa e Dimensional, subdivididos em três laboratórios: (1) Laboratório de Metrologia Elétrica, (2) Laboratório de Metrologia Físicas e (3) Laboratório de Metrologia Mecânica. Esses laboratórios hoje também prestam serviços para instituições públicas e privadas. A Área de Metrologia do LIT atende ainda a outras áreas do INPE, inclusive o Laboratório de Instrumentação Meteorológica (LIM) do CPTEC, na calibração e testes de equipamentos para pesquisa de campo dentro de sua área de atuação. “Nosso lema é ‘atender ao LIT na sua plenitude’”, explica Ricardo Suterio, gerente técnico do Laboratório. “É essa estrutura que oferecemos aos demais setores do INPE e externamente, como forma de compartilhar com a sociedade um serviço acreditado e de excelência, mas sempre priorizando os programas espaciais dos quais o LIT participa”. 

Enquanto a Metrologia do LIT trabalha nas áreas que envolvem aplicações aeroespaciais e industriais, o Laboratório de Instrumentação Meteorológica (LIM) se concentra nos serviços ligados à meteorologia. A estrutura tem como atribuição a preparação, instalação, integração, testes funcionais e calibração de um número elevado de sensores e medidores ambientais de pesquisa nessa área. Dentre esses equipamentos destacam-se sensores para medidas das variáveis: temperatura, pressão atmosférica, umidade, vento, precipitação, radiação solar, parâmetros de qualidade da água, entre outras. Também são incluídos equipamentos e sensores para medidas de fluxos turbulentos e concentrações de CO2, H2O, radiossondagens atmosféricas e medições em alto-mar utilizando-se boias oceanográficas. 

Saiba mais sobre as áreas de atuação do LIT e do LIM

NIT/INPE estuda benefícios e aplicabilidade do Marco Legal de CT&I para o Instituto

Informativo do INPE - N° 5
6 de abril de 2016


                                                              Câmera Mux

Considerada um divisor de águas na área de pesquisa e desenvolvimento, a lei conhecida como Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, sancionada pela presidente Dilma Rousseff no início do ano, ainda requer estudos mais aprofundados antes do início de sua aplicação efetiva nas atividades do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Alguns artigos da legislação dependem de regulamentação e, por isso, não podem ser utilizados de imediato. É o caso, por exemplo, das alterações na chamada lei das licitações (Lei 8.666). Outros pontos estão sendo objeto de análise e consulta aos órgãos jurídicos, por parte do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Instituto. 

O Marco Legal de CT&I (Lei n° 13.243/2016) estabelece a alteração de nove leis que tratam de assuntos ligados ao desenvolvimento científico, à pesquisa, capacitação científica e tecnológica e inovação. O objetivo principal é diminuir o gap nas relações entre as instituições públicas de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e a indústria, por meio de medidas como a desburocratização dos sistemas de licitação, compra e importação de produtos destinados à pesquisa científica e tecnológica, e da flexibilização do regime de trabalho de pesquisadores de instituições públicas, para que possam atuar também junto à iniciativa privada. 

“A intenção da nova legislação é boa, o texto foi muito bem construído”, afirma Milton de Freitas Chagas Junior, presidente do NIT do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). “Os termos do Marco Legal foram inspirados em modelos de países onde os sistemas nacionais de inovação são bem-sucedidos. Precisamos verificar como esse modelo vai se refletir na realidade brasileira”. Uma eventual demora na regulamentação de artigos do Marco Legal é outra preocupação da comunidade científica em relação à sua aplicabilidade. “A Lei de Inovação (Lei nº 10.973/2004), por exemplo, foi aprovada há mais de dez anos e há pontos críticos para a CT&I que nunca foram regulamentados”, justifica Milton Chagas. 

Impactos na área espacial

Para Leonel Perondi, diretor do INPE, alguns importantes benefícios do Marco Legal de CT&I para a área espacial referem-se às questões ligadas à transferência de tecnologia e à propriedade intelectual. “Com a nova legislação, podemos ceder integralmente à indústria, mediante o pagamento de royalties, os direitos de propriedade intelectual. Isso deve facilitar bastante a compra de desenvolvimento de um produto inovador da iniciativa privada”, explica. 

No caso de desenvolvimento conjunto da ICT (Instituição de C&T) com a empresa, a instituição pública poderá contratar o desenvolvedor com dispensa de licitação, por meio de convênio ou contrato – um impacto positivo para a área espacial, que trabalha eminentemente com produtos e serviços inovadores. O diretor do INPE afirmou, porém, que, no que se refere especificamente ao Programa Espacial Brasileiro, o Marco Legal é um passo significativo, porém não suficiente para que o país consiga nuclear uma indústria espacial no futuro. 

A prestação de serviços técnicos pelas ICTs a instituições públicas e privadas – que diz respeito, por exemplo, às atividades do Laboratório de Integração e Testes (LIT) de Satélites do INPE - também ficou melhor especificada no Marco Legal. A legislação deixa claro que o principal objetivo de se abrir a estrutura laboratorial das ICTs para que as empresas usufruam de serviços técnicos especializados relacionados a atividades voltadas à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo é proporcionar maior competitividade ao setor industrial (veja mais detalhes em “Nova legislação irá favorecer serviços especializados oferecidos pelo LIT e LIM”). 

“É fundamental que a instituição de ciência e tecnologia consiga chegar até a fase de disponibilização do produto ou serviço à sociedade, após as etapas de absorção do conhecimento e sua fixação por meio de aplicações. É isso o que diferencia o instituto de pesquisa de uma universidade”, destaca Perondi. “Poder prestar serviços inovadores, por meio de convênios firmados com as fundações de apoio, utilizando as receitas próprias geradas para a manutenção de sua estrutura faz parte da própria lógica que se espera da operação de uma unidade de pesquisa”. 

Para que os benefícios e vantagens do Marco Legal de CT&I se concretizem, no entanto, é preciso que ele seja colocado rapidamente em prática. “Se conseguirmos fazer com que essa legislação saia do papel e se torne o dia-a-dia das instituições de ciência, tecnologia e inovação, realmente terá sido um avanço significativo para a pesquisa e desenvolvimento no país”, conclui Milton Chagas. 



Confira alguns dos principais avanços do Marco Legal de CT&I

- Pesquisadores contratados sob regime de dedicação exclusiva em instituições públicas poderão exercer até 416 horas anuais ou 8 horas semanais de atividades remuneradas em pesquisas cooperadas com empresas; 

- O setor público poderá conceder bolsas de estímulo à inovação no ambiente produtivo, destinadas à formação e à capacitação de recursos humanos e à agregação de especialistas em instituições científicas e tecnológicas (ICT) e em empresas, que contribuam para a execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação; 

- A lei altera também o Estatuto do Estrangeiro, que permitirá a contratação de cientistas, técnicos e tecnólogos não só para universidades, mas também para empresas. 

Relação entre ICTs e empresa

- Regulamenta o uso de equipamento público da ICT para pesquisas de empresas, bem como o compartilhamento de seus laboratórios, equipamentos, instrumentos, materiais e demais instalações com empresas em ações voltadas à inovação; 

- Promove a relação público-privada, isto é, apoio à constituição de alianças estratégicas e o desenvolvimento de projetos de cooperação envolvendo empresas, ICT e entidades privadas sem fins lucrativos; 

- Melhora a definição dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) ligados às universidades, assim como a concessão de personalidade jurídica própria, o que confere a estes maior autonomia para firmar parcerias, contratos e processos facilitadores de compra; 

- Permite que a administração pública, em matéria de interesse público, contrate diretamente ICTs, entidades de direito privado sem fins lucrativos ou empresas, isoladamente ou em consórcios, voltadas para atividades de pesquisa. 

CCST quer intensificar a multidisciplinaridade e ampliar a comunicação com a sociedade

Informativo do INPE - N° 5
8 de abril de 2016

                                               Coordenador do CCST, Jean Ometto

Na sequência das entrevistas sobre a discussão e elaboração do último Plano Diretor (2016-2019) nas diferentes áreas do Instituto, o INPE Informa traz nesta edição os desdobramentos deste processo no mais novo centro de pesquisa do INPE: o Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST). Jean Ometto, coordenador do CCST, afirma que o mais novo filho do INPE, criado em 2008, trouxe desafios e inovações que estão associados ao tratamento da temática das mudanças ambientais globais, seu principal enfoque. Um de seus mais importantes desafios está na busca constante do exercício da multidisciplinaridade de suas pesquisas. Por outro lado, o CCST inovou ao inserir as ciências sociais entre as disciplinas já tradicionais da cultura científica do Instituto. 

Mesmo passando por um processo de consolidação de sua identidade, Ometto destaca que o CCST já vem trazendo contribuições significativas para o país, como a colaboração para o levantamento do inventário das emissões dos gases de efeito estufa, subsídios para o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA) e participação na construção do Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (BESM - Brazilian Earth System Model). Nesta entrevista, Ometto conta que o processo de discussão do Plano Diretor (2016-2019) foi uma oportunidade para o CCST repensar seu modelo interno de atuação, propor meios para intensificar o exercício da sua multidisciplinaridade e discutir a comunicação interna, procurando também definir meios para divulgar os resultados de sua pesquisa e estreitar suas relações com a sociedade. Confira a seguir a entrevista com Jean Ometto, coordenador do CCST. 

- Antes de comentar como o CCST está planejando suas atividades para o período que cobre o novo Plano Diretor (2016-2019), poderia falar um pouco sobre a história do CCST, articulando esse contexto histórico com as diretrizes para os próximos anos? 

Jean Ometto - O Plano Diretor veio em um período interessante para nós do CCST (Centro de Ciência do Sistema Terrestre). O CCST é novo, foi lançado em 2009. Não participei do processo de construção do Centro, do pensamento para a sua constituição. Mas sabemos que o Centro foi pensado dentro de uma lógica de se buscar, nessa questão de mudanças climáticas, de mudanças ambientais globais, um universo de pesquisas multidisciplinares, de temáticas não disciplinares, que envolvem uma gama enorme de temáticas científicas, de questões do dia-a-dia; um universo muito grande de processos. 

Em geral, as ciências das mudanças climáticas tratam o planeta como um ‘sistema’ dentro de um arcabouço de modelagem. Pelo menos, nessa ótica, há uma leitura de integração e interdependência de processos. Essa questão passa, obviamente, pela atuação do Homem no meio. A partir dessa atuação, criando interdependência pela modificação do ambiente, discutimos e pesquisamos o que isso afeta na vida humana e altera processos considerados globais, como a constituição da atmosfera.

As ciências das mudanças climáticas do CCST tratam o planeta como um ‘sistema’, dentro de uma perspectiva de integração e interdependência de processos.
Acredito que esse foi o arcabouço que levou a proposta de um centro como esse; e foi criado dentro do INPE porque historicamente este é um instituto com um grande portfolio de ciência avançada, de ciência de ponta, e com uma inter-relação muito forte com instituições internacionais. De certa forma, o INPE já como partícipe desse movimento - de perceber a ciência de forma integrada - explica o fato de ter sido naturalmente escolhido hospedeiro para essa iniciativa. Tanto que o CCST foi proposto para iniciar suas atividades com servidores do próprio INPE, de diferentes coordenações. Não nasceu com pessoal vindo de fora para criar um universo novo dentro do INPE, como se observa nos processos de criação de outros institutos. 

O CCST foi criado com servidores e bolsistas do INPE. O primeiro concurso em 2009 contratou apenas cinco pessoas. Outros migraram de outras áreas do Instituto, entendendo que essa proposta de ciência integrada poderia ser desenvolvida em um centro como esse. Eu cheguei nesse momento. Essa descrição anterior é o que entendo como processo de construção do CCST. 

E por que falei que o Plano Diretor veio em um momento interessante? Porque do momento que o CCST foi criado dentro dessa configuração até o advento deste último Plano Diretor, esse período foi muito intenso para nós. Essa construção inicial não se manteve por muito tempo. Algumas pessoas entenderam que tinham outras prioridades. Então aquela conformação inicial do Centro, ao longo dos seus primeiros 4-5 anos, foi remodelada de um modo profundo. Muitas das pessoas que participaram desse processo inicial de construção deixaram de participar do processo de consolidação do Centro. 

O que aconteceu com o Plano Diretor foi uma oportunidade, depois desse período que o CCST passou, para repensar a sua identidade, aproveitando também a chegada de alguns outros novos servidores. Como se repensa isso, uma identidade que tem que ser reconstruída? O CCST deve ser identificado dentro e fora do INPE com uma determinada característica, uma feição, de geração de ciência. 

Inicialmente, pela lógica naquele contexto, a construção do CCST foi feita sobre linhas de pesquisa associadas a grupos e pessoas que construíram o Centro, ou que tinham ideias do que deveria ser o Centro. Pelo Plano Diretor anterior, foi assim que o CCST se constituiu. O Comitê Assessor da Coordenação do CCST seguia essa linha e o desenvolvimento de projetos era baseado nessa ideia. 

O que fizemos na discussão desse novo Plano Diretor - que veio logo depois que eu assumi a coordenação - foi trazer a discussão, com alguns workshops e de forma ampla, de como revisitar as linhas de pesquisa - que têm suas propriedades, estão relacionadas a certas pessoas - e sem melindrar, sem criar uma atmosfera de cisão. A ideia foi trabalhar um arcabouço de interfaces. A proposta foi de que as linhas originais de pesquisa e outras em potencial fizessem um overlap, uma interconexão em três universos. O primeiro deles, o observacional, visto como o universo de coleta de amostras, observações em campo ou remotas, havendo ainda a coleta de informações. Buscamos entender, por exemplo, como são os processos de mudança de uso do solo nas perspectivas social, de impacto, de ciclagem de nutriente, etc. As linhas de pesquisa tinham que pensar nessa interação com a componente observacional e também com a de modelagem e outra que estamos chamando de diagnósticos e cenários, integração e geração de informações para políticas públicas. 

- Nessas interfaces, tem gente trabalhando nelas ou são dinâmicas para que as áreas se integrem mais? 

Jean Ometto – São dinâmicas simplesmente. 

- Mas como fazer com que as pessoas se conversem mais? 

Jean Ometto – Esse foi o começo da construção. As pessoas são disciplinares, em sua grande parte. Elas têm sua linha de atuação. O que buscamos e trouxemos como desafio foi, a partir das áreas disciplinares de cada um, que se pensasse em qual, ou quais, outras áreas dentro do CCST teriam interface. Por exemplo: será que uma pessoa que atua com eletricidade atmosférica teria interface com modelagem do uso do solo? Quem vai identificar isso são as próprias pessoas, disciplinares. O pessoal de modelagem de uso do solo tem muito a ver com agricultura. Isso é claro. Há interfaces que são claras, mas outras não. A interface não precisa cobrir toda a extensão daquela área temática. Muito pelo contrário. Há pessoas interessadas em aerossol na atmosfera, mas que não querem entender de onde vem, por exemplo. Claro, estou exagerando, mas podem estar mais interessadas na física, que é uma interface óbvia com o CPTEC; mas também tem gente aqui interessada nisso. Por outro lado, o aerossol na atmosfera tem a ver com a dinâmica do uso do solo, por conta das queimadas, adubação, do funcionamento de floresta. Aí está a interface. Esse foi o desafio. O que pensamos fazer? Vamos construir um Plano Diretor entendendo que as áreas têm as suas particularidades, mas que não são pilares, pilares não interagem. 

- Vocês criaram uma dinâmica que permitisse a multidisciplinaridade funcionar? 

Jean Ometto – Ou que pelo menos fosse exercitada. É muito difícil funcionar. O Plano Diretor foi um caminho nessa direção. Ele é todo segmentado. A gente tem agora algumas iniciativas que estão mostrando que a multidisciplinaridade pode interessar a várias áreas temáticas. Um projeto temático que submetemos recentemente à Fapesp é um exemplo disso. A construção desse projeto foi mais ou menos nessa linha. 

Fizemos vários workshops no ano passado dessas diferentes áreas. Para o pessoal da modelagem, pedimos um workshop para entender onde estava a modelagem, quem está fazendo o que, para que e para onde. Foi um workshop só para o pessoal da modelagem e outro abrindo para os demais grupos do CCST. Aí veio o pessoal que faz observação de nitrogênio em rio, por exemplo, e que disse: - Que interessante, tem alguém modelando transporte em área terrestre para aquática! Isso permitiu criar esse ambiente. Claro, não é um universo absolutamente integrado, mas criaram-se oportunidades. Tanto que nossa figura (Fig.1) que está no Plano Diretor tenta refletir um pouco disso.

As ciências das mudanças climáticas do CCST tratam o planeta como um ‘sistema’, dentro de uma perspectiva de integração e interdependência de processos.



Essas três áreas – sistema de observação, modelagem e diagnósticos e cenários - se interagem em projetos que são transversais, mas não necessariamente interagem com todas as áreas. Ao mesmo tempo, não há impedimentos que a área desenvolva algo próprio. Algumas áreas são bastante consolidadas, como o ELAT (Eletricidade Atmosférica), com 35 anos de INPE; a rede de observação Sonda (Sistema de Organização Nacional de Dados Ambientais) também. A área social é muito nova, até mesmo dentro do universo INPE, mas vem contribuindo com a discussão em diversas temáticas. Por exemplo, como entendermos um produto já consolidado do INPE e buscarmos perspectivas adicionais? Se olharmos para o mapa de potencial de produção de energia renovável (eólica/solar) e perguntarmos: será que esse mapa pode ser entendido dentro de uma ótica de cenário de mudança de uso do solo? Ou de cenário de alternativa energética? Outro exemplo: se há previsão de diminuição de chuva em uma determinada região, não podemos sugerir de parar de usar água para produzir energia e usá-la para outra coisa, e usar vento para produzir energia? 

Dentro desse universo, temos contribuído, entre outras coisas, para o inventário nacional de emissão de gases do efeito estudo. Participamos da discussão sobre o mecanismo REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) no Brasil com a Coordenação de Observação da Terra (OBT). Por que temos feito isso? Porque algumas pessoas do CCST tem interface com esse tema. Como falar de REDD no Brasil se não falar de cenário de mudanças de uso do solo? Temos o mapeamento do desmatamento feito pela OBT. Mas como trazer esse mapeamento para a nossa prática, como traçar um cenário a partir disso, quais são as premissas? Entendemos os cenários como um projeto de transição, que inclui o pessoal da área de ciências sociais, de mudança do uso do solo, da biogeoquímica, porque afinal estamos falando de carbono. Como o carbono vem para a água, vai para o chão e para a atmosfera? Fizemos o Plano Diretor dentro dessa ótica. 

Cenários são centrais à nossa proposta ao Plano Diretor. Cenários vão alimentar políticas públicas? Pode ser que sim, pode ser que não. Se houver, por exemplo, um cenário de potencial ocorrência de aedes aegypti associado à clima, à condição topográfica, à gestão de lixo urbano, se vamos construir cenários dessa natureza, isso tem um apelo de políticas públicas muito claro. Dentro do que podemos fazer, a construção de cenários é fundamental. 

Essas questões remodelaram o CCST. As pessoas que vinham chegando no CCST, olharam para as áreas de pesquisa e disseram: - eu trabalho em tal área, o meu trabalho contribuiu para aquelas áreas. Claro, há pessoas bem afinadas, que lideram áreas, mas que não seguram mais um bastão, um pilar, acho que a figura que representa melhor hoje a dinâmica que queremos implementar é a delas segurando um tronco na horizontal, interagindo com outras áreas. 

A ideia era fazer com as linhas temáticas o mesmo que se faz naquele jogo de palitinhos coloridos de criança. Você joga no chão e observa qual faz interface com qual. Esse é o exercício interno. E como isso vai se consolidando? Com produtos, de uma maneira bem clara. Estamos nos propondo a fazer análises mais profundas, como o problema hídrico de São Paulo, a questão da seca no Nordeste, e de uma forma mais ampla, multidisciplinar. 

- Que produtos do CCST você citaria com resultados mais evidentes, ou que estão sendo trabalhados mais fortemente, com essa perspectiva de multidisciplinaridade? 

Jean Ometto – Trabalhamos muito com cenários. Temos publicado artigos sobre cenários de mudança do uso do solo da Amazônia. Temos publicado, por exemplo, informações sobre dinâmica da agricultura no Centro-Oeste, sobre impactos no ciclo de nutrientes. Abordamos questões de agricultura e clima regional. Mas isso de um modo muito pontual, associado a projetos de pesquisa. 


Trabalhamos de uma maneira muito interessante com o CPTEC e com a OBT. Utilizamos cenários regionalizados de mudanças climáticas e fazemos análises de uma série de impactos. Há interações com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), com outras universidades, com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). Atuamos muito na preparação do Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA), que tem uma ótica multidisciplinar. Apesar de ser setorizado, voltado à agricultura, transporte, saúde, etc., sua perspectiva de adaptação não é linear, é multifacetada. A contribuição no Plano não é feita de forma isolada pelo CCST, está dentro de uma perspectiva institucional do INPE. Para o MCTI, temos uma colaboração muito forte com o inventário de emissões de gases do efeito estufa, que o país utiliza na convenção internacional do clima, que não é um documento científico, mas político. 

Já os produtos voltados para o usuário não institucional, seja governo ou não, temos poucos; são aqueles relacionados à ocorrência de relâmpagos, por exemplo, que estão bem consolidados no INPE; que já têm história. O CCST, de alguma forma, é beneficiado por essa associação com os laboratórios de atuação tradicional no INPE. Por exemplo, recebemos demandas diárias de pessoas que têm problemas com relâmpagos e que são atendidas pelo ELAT. A questão de energia renovável também, mas nesse caso as relações são institucionais. Não temos produtos para informar variações de energia solar para um gerador doméstico de energia solar, por exemplo, porque esse tipo de equipamento no país não é de uso em larga escala. O CCST ainda tem que trabalhar mais a interface com o usuário não institucional. Hoje isso se dá muito na capacitação, com a pós-graduação, cursos, etc. 

- Mas as relações do CCST não devem ser mais voltadas ao usuário institucional e menos ao usuário individual, ao cidadão comum? 

Jean Ometto – Acho que são elementos ainda em discussão. Será que poderíamos criar um fórum dentro de um veículo de comunicação? A gente contribuiu muito, por exemplo, com a construção do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Toda a conceituação deste museu, em mudanças ambientais e mudanças climáticas, teve origem no CCST. O universo de conhecimento que aquilo aconteceu está aonde o CCST atua. O Museu do Amanhã tem uma visibilidade que, em certo sentido, vai além de uma relação com o usuário individual, mas, por outro lado, é uma situação em que a pessoa vai lá, aperta um botão e interage com esse conhecimento. 

Deveríamos pensar em trabalhar mais com a ideia de um fórum de manifestação frequente, mas não temos maturidade institucional para isso ainda. Temos que fazer esse trabalho internamente primeiro. O mecanismo interno de noticiar o que produzimos de conhecimento, de atividade, de informação, ainda estamos construindo. Essa questão da gestão da comunicação no CCST precisa ser mais trabalhada. 

- Sobre esses três componentes ou dimensões do CCST - observação, modelagem e cenários - você poderia falar um pouco mais detalhadamente sobre a atual situação dessas áreas? Qual seria a projeção para os próximos anos? 

Jean Ometto – A modelagem é uma atividade importante para nós e a observação é muito importante para alimentá-la. Mas não há como construir uma rede de observação que alimente a modelagem de forma exaustiva. Esse é um trabalho que o Brasil precisa fazer e podemos contribuir um pouquinho, com redes de monitoramento. É preciso estabelecer ou tentar buscar formas de constituir rede de monitoramento de variáveis ambientais. Já temos a rede de monitoramento de energia solar, rede de monitoramento de dados ambientais (como a rede SINDA), coordenada pelo CRN (Centro Regional de Natal), do INPE, e apoiada pelo CCST. Também estamos pensando em uma rede de monitoramento de gases de efeito estufa. Enfim, temos feito isso em vários níveis. A observação, geralmente, é pontual, atrelada a uma pesquisa, na qual se faz coleta de dados. Mas para virar uma rotina, um monitoramento, isso muda de figura. O Brasil precisa pensar um pouco nisso e poderíamos contribuir com isso. 

Na figura que mostra a localização das estações e redes de observação, as de biogeoquímica, por exemplo, são essencialmente pontos de coleta (Fig.2). É muito difícil monitorar biogeoquímica. A Cetesb, por exemplo, faz isso em água, no estado de São Paulo, mas não é trivial. Já os pontos de micrometeorologia são de monitoramento, a torre monitora sistematicamente temperatura, umidade, etc.; são vários anos de coleta de dados. Nitrogênio também é pontual. Os pontos que indicam raios são de monitoramento por satélite ou por observação. Umidade do solo é pontual, vento não. Pretendemos, pelo menos, manter o nosso monitoramento de variáveis atmosféricas, especialmente relacionadas à Rede Sonda, que mostra a distribuição de energia solar no país; para raios, com o ELAT, temos investido na ampliação da Rede BrasilDAT (Sistema Brasileiro de Detecção de Descargas Atmosféricas), que já era bem ampla quando foi criado o CCST. Avançamos também na produção e análise de dados com os laboratórios de análises químicas (água, solo, chuva), de gases do efeito estufa e química atmosférica, e de hidrologia.

Figura 2 - Rede atual de coleta de dados do CCST.
 Um dos objetivos do nosso trabalho é, nesses quatro anos, revisitar a questão da coleta. O uso de dados solares tem uma interface muito clara com a modelagem; o uso de dados de raios nem tanto, estão fazendo modelagem, mas isso não é o operacional do laboratório. Dados de biogeoquímica alimentam modelos de vegetação dinâmica. 

Estamos entrando, agora, naquela caixinha que é a de modelagem, onde temos coisas bem interessantes acontecendo. Uma delas é a construção do modelo de superfície que está atrelado ao Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (BESM), que é uma cooperação muito forte entre o CPTEC e o CCST. 

- O desenvolvimento do BESM está no CCST ou no CPTEC? 

Jean Ometto - Todo o core do BESM, que é o modelo atmosférico global e o modelo oceânico, está no universo do CPTEC. O modelo atmosférico global é literalmente do CPTEC e o oceânico, foi parametrizado e tem desenvolvimentos no CPTEC. Fazemos o modelo de superfície. O BESM é o modelo do Earth System, modelo do sistema terrestre, que é a lógica das atividades do CCST. Naturalmente, as pessoas entendem que o modelo tem uma aderência maior ao CCST. Mas o modelo do Earth System não pode ter um endereço, deve ser multi-institucional, porque não temos condição no Brasil de fazer um modelo deste tamanho se não juntarmos pessoas e instituições. O modelo é muito grande e são muitos elementos. Mas o core é do CPTEC. Desenvolvemos o modelo de superfície, toda a dinâmica de solo, planta, atmosfera, cobertura vegetal; chamamos esse modelo de INLAND (Modelo Integrado de Processos Superficiais), que desenvolvemos continuamente. 

São elementos que juntos se chamam BESM e que separados são modelo de superfície, modelo de oceano e modelo de atmosfera; há ainda o de química atmosférica. Quando juntos, viram BESM, além de ser o que integra todos os outros modelos. 

Temos trabalhado também com a modelagem climática regional, outra grande interface com o CPTEC. Nosso grupo atua junto com o grupo de desenvolvimento do modelo regional ETA do CPTEC. Neste trabalho estamos construindo e consolidando a capacitação do CCST para atuar em modelagem climática regional com interesses bastante específicos, relacionados com o sistema terrestre, como cenários. É uma interface institucional muito boa. 

Fazemos modelagem do uso e cobertura do solo, com produto que pode ser visto na página do CCST. Em interface bastante construtiva com a OBT, com o modelo INPE EM, a partir dos dados do PRODES, calculamos as emissões de carbono associadas ao desmatamento na Amazônia. Incorporamos, por exemplo, dados do TERRA Class, como também fazemos uso de dados do DEGRAD e DETER. Vislumbramos isso como um produto que pode ser utilizado por diversas instâncias, para a contabilização das emissões pelo setor de uso de solo e florestas no Brasil. 

Outro elemento importante que tem interface com a questão de cenários são as plataformas de gestão de dados. TERRA-ME e LUCC-ME são plataformas que lidam com bases de dados de diversas naturezas com o objetivo de modelar a dinâmica de uso do solo, que têm uma grande interface com a OBT. Da mesma forma a elaboração e divulgação de informações sobre desertificação no semiárido Brasileiro, o SAP (Sistema de Alerta Precoce contra Seca e Desertificação), um projeto em colaboração com o CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais). 

Os cenários, por sua vez, devem ser validados com a observação. E eu fui muito simplista ao falar sobre a observação de dados ambientais. A questão social entra nas observações, por exemplo, com entrevistas. Os cenários do desmatamento da Amazônia foram construídos a partir de cenários participativos – entrevistas com diversos stakeholders, pessoal que entendia da tendência do desmatamento e quais eram os elementos determinantes. Essa observação alimenta os cenários, e não propriamente a modelagem. Esses são alguns aspectos de interação que eu espero que aconteça com o CCST. Mas ainda dentro dessa universo de interfaces do CCST, há ainda outros programas como a REDE CLIMA, Programa FAPESP de Pesquisas em Mudanças Climáticas, Future Earth, InterAmerican Institute for Global Change Research, que são muito importantes na constituição e consolidação da rede de pesquisas do Centro.